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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Lula Inflado

Lullapapooda © Movimento Brasil Livre

A grande sensação dos protestos de 16 de agosto foi o boneco do ex-presidente Lula em trajes de presidiário, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

A grande imprensa não pôde fingir que não viu, nem fazer de conta que os objetivos da manifestação são difusos, abstratos, etéreos. O que pode ser mais concreto que Lula preso? Parabéns aos idealizadores e realizadores desse genial golpe de marketing.

O mais legal é que a história não acaba aí. O Instituto Lula passou recibo, emitindo uma nota oficial em resposta ao boneco. É mais uma prova do quanto estão perdidos. Inúmeras pessoas fizeram e continuam fazendo maravilhosos memes nas redes sociais. Coloco aqui uma pequena seleção dos meus prediletos.

© Lula Inflado


© Lula Inflado

© Rodrigo Gomez
© Milene Reis

© Marco Balbi

© Marco Balbi


© Mauro Scheer


© Alex Brum Machado


© Lula Inflado

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Por que vamos às ruas no dia 16


No dia 16 de agosto, os brasileiros de todos os cantos do país iremos mais uma vez às ruas pedir o fim deste desgoverno que se abateu sobre nós. Seremos milhões de pessoas exigindo a queda de Dilma, a cassação do registro do PT, o fim da ingerência do Foro de São Paulo nos assuntos internos do Brasil, em uma manifestação gigantesca, maior que qualquer outra já havida até 14 de março de 2015.

Por que vamos às ruas?

Porque queremos de volta nosso direito à vida. Ninguém pode suportar 60.000 assassinatos por ano. Queremos a redução da maioridade penal. Queremos o fim do Estatuto do Desarmamento.
Porque queremos de volta nosso direito à liberdade. Liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade para trabalharmos, liberdade de votarmos em eleições limpas, em que possamos confiar, liberdade para não doutrinarem nossos filhos nas escolas.
Porque queremos de volta nosso direito à busca da felicidade. Estamos cansados de ser roubados. Estamos cansados de ser feitos de idiotas pelos políticos, de ter nossa inteligência insultada. Estamos cansados de impostos que sufocam a sociedade.
Porque queremos reduzir o tamanho do Estado.
Porque queremos acabar com as divisões artificiais da sociedade. Somos indivíduos, somos livres. Somos todos iguais em natureza e diferentes em nossa individualidade única.
Porque queremos instituições que funcionem, sem militantes infiltrados em cada canto. Porque queremos a separação entre os Poderes.
Fora Toffoli! Fora Lewandowski! Fora Fachin! Fora Barroso!
Porque não queremos andar a 50km/h em avenidas construídas para se andar a 90km/h. Porque não queremos ser feitos de palhaços quando vamos embalar compras no supermercado. Porque não queremos ser submetidos a decisões irracionais e arbitrárias de governantes maníacos.
Fora Haddad!
Porque não aceitamos ameaças de quem quer que seja. Porque não aceitamos que a violência tenha lugar na política.
Fora Vagner Freitas! Fora CUT! Fora Stedile! Fora MST!
Porque somos contra a escravidão, inclusive a dos médicos cubanos.
Fora Fidel! Fora Maduro! Fora Foro de São Paulo!
Porque achamos que roubar é errado e que quem comete crimes deve pagar por eles na prisão.
Fora Lula! Fora Dilma! Fora PT!

Ninguém agüenta mais. Lógico que todos preferiríamos aproveitar o domingo de outra maneira. Mas queremos que nossa voz seja ouvida. Apesar da imprensa, apesar dos políticos, apesar dos bandidos, nos faremos ouvir. O governo está podre e sua queda é questão de tempo. Faça sua parte: ajude a balançar para que caia logo.

As manifestações são um ambiente agradável, em que se respira liberdade. Estaremos entre amigos, entre cidadãos que respeitam a lei. Sempre há um grande contingente de policiais fazendo a segurança. As lojas funcionam, ninguém quebra nada. Crianças, idosos e cadeirantes são bem-vindos.

Leve sua família. Convença seus amigos. Vamos mostrar a essa “elite”, no pior sentido da palavra, que o tempo deles já passou, que o que resta a eles é a Papuda, é o Complexo Penal de Pinhais. Venha fazer parte da verdadeira elite, da elite moral do Brasil.

domingo, 2 de agosto de 2015

Faça a sua parte! É dia 16 de agosto!



Estamos vivendo um momento crítico da história do Brasil. A crise moral paralisa o país de uma maneira inédita. Isso é acompanhado de uma gigantesca crise econômica, cujos sinais mal começaram a se fazer visíveis. O governo Dilma Rousseff já provou que não tem condições técnicas nem políticas de administrar essa crise econômica e é a raiz e o corpo da crise moral que atravessamos.

O Brasil não vai suportar a continuidade deste governo zumbi. O Brasil não pode mais conviver com um partido que sistematicamente transgride a lei e escarnece da Justiça. O Brasil não pode mais tolerar a ingerência do Foro de São Paulo em seus assuntos internos e em sua vida política.

É hora de dar um basta a tudo isso. E esse basta depende de cada um de nós. No dia 16 de agosto, milhões de brasileiros estarão nas ruas, como estiveram em 15 de março e 12 de abril. Faça a sua parte. Compareça e leve mais gente com você. Para que o governo caia, é necessário que o povo demonstre de maneira inequívoca sua indignação. É preciso que os políticos vejam que os brasileiros estão determinados a tirar Dilma Rousseff da presidência e que não vão descansar enquanto isso não acontecer. Os políticos precisam ter medo da opinião pública.

Aprendemos, com as manifestações anteriores, que o ambiente é de absoluta tranqüilidade. As lojas não fecham. Crianças, idosos, cadeirantes, todos são bem-vindos. A polícia está presente para colaborar e proteger os cidadãos. As pessoas que participam são gente comum, pacífica e ordeira, cumpridora das leis. Essas pessoas só querem que as leis sejam cumpridas também pelos governantes, que as leis valham para todos.

Aprendemos também que a imprensa não é exatamente uma aliada. Existem casos e casos, mas a imprensa não vai ajudar a convocar os protestos. Muitos veículos vão minimizar seu tamanho e ridicularizar sua pauta. Paciência! Precisamos vencer isso também. Por isso é tão importante que as pessoas divulguem essa convocação e se empenhem em levar muita gente.

Não confie nos políticos. Não confie na imprensa. Derrubar o governo mais corrupto da história do Brasil está em nossas mãos. Faça a sua parte!



Cidades confirmadas até o momento:

AC - Acre

Mâncio Lima - 09h30 - Praça São Sebastião (Centro)

AL - Alagoas

Arapiraca - 15h - Praça Marques
Maceió - 09h - Corredor Vera Arruda

AM - Amazonas

Benjamim Constant - 16h - Praça Frei Ludovico
Manaus - 16h - Av. Djalma Batista x Rua Pará

AP - Amapá

Macapá - 15h - Praça da Bandeira

BA - Bahia

Brumado - 17h - Praça Coronel Zeca Leite
Cachoeira - 15h - Praça 25
Camaçari - 09h30 - Praça Des. Montenegro
Conceição do Coite - 15h - Praça da Matriz
Feira de Santana - 15h - Em frente a Prefeitura
Ilhéus - 15h30 - Catedral São Sebastião
Itabuna - 15h - Jardim do Ó
Itapetinga - 15h - Lagoa
Salvador - 09h - Farol da Barra
Vitória da Conquista - 09h - Praça Guadalajara

CE - Ceará

Barbalha - 16h - Praça da Estação
Fortaleza - 15h - Praça Portugal

DF - Distrito Federal

Brasília - 09h30 - Museu Nacional (Esplanada dos Ministérios)

ES - Espírito Santo

Cachoeiro de Itapemirim - 09h - Praça Jeronimo Monteiro
Linhares - 14h - Praça 22 de agosto
Vitoria - 14h - Praça do Papa

GO - Goiás

Anápolis - 14h - Praça Dom Emanuel
Goiânia - 14h - Praça Tamandaré
Santa Helena de Goiás - 10h - Praça da Igreja Matriz

MA - Maranhão

Sao Luís - 16h - Av. Litoranea (Praia do Calhau)

MG - Minas Gerais

Belo Horizonte - 10h - Praça da Liberdade
Betim - 09h - Praça Tiradentes
Cataguases - 10h - Praça Santa Rita
Curvelo - 10h - Praça Central do Brasil
Divinópolis - 15h30 - Praça do Santuário
Governador Valadares - 10h - Praça dos Pioneiros
Ipatinga - 10h - Feira do Canaã
Itajubá - 15h - Sambódromo de Itajubá
Ituiutaba - 15h30 - Praça Getúlio Vargas
Juiz de fora - 10h - Praça de São Mateus
Montes Claros - 09h - Em frente o Senac
Passos - 14h - Av. Juca Stockler, 1130 UEMG (FESP)
Patos de Minas - 10h - Praça do Fórum
Pouso Alegre - 10h - Em frente a Catedral
Santa Luzia - 11h - Av. Brasilia
São João Del Rei - 15h - Praça Estação Ferroviária
São Lourenço - 15h - Praça João Lage
Uberlândia - 10h - Praça Tubal Vilela
Viçosa - 10h - Quatro Pilastras (UFV)

MS - Mato Grosso do Sul

Campo Grande - 14h - Praça do Rádio
Caracol - 15h - Praça 1º de Maio

MT - Mato Grosso

Cuiabá - 16h - Praça Alencastro

PA - Pará

Belém - 08h - Escadinha Estação das Docas

PB - Paraiba

Campina Grande - 15h30 - Praça da Bandeira
João Pessoa - 13h30 - Av. Epitácio Pessoa (Em frente ao Grupamento de Eng,)

PE - Pernambuco

Olinda - 10h - Praça Do Quartel (Bairro Novo)
Orobó - 15h - Quadra Central
Petrolina - 15h30 - Praça da Catedral
Recife - 09h30 - Av Boa Viagem

PI - Piauí

Parnaiba - 16h - Balão do Mirante
Teresina - 16h - Av. Mar. Castelo Branco em frente à Alepi

PR - Paraná

Apucarana - 15h - Praça Rui Barbosa
Arapongas - 15h - Praça Mauá
Cascavel - 15h - Catedral N.S. Aparecida
Curitiba - 14h - Praça Santos Andrade
Dois Vizinhos - 15h - Praça da Amizade (Praça do Pedágio)
Foz Iguaçu - 09h - Praça do Mitre
Francisco Beltrão - 15h - Calçadão da Igreja Matriz
Guarapuava - 16h - Praça Cleve
Irati - 15h30 - Praça da Bandeira
Jacarezinho - 16h - Faculdade de Filosofia
Londrina - 15h - Colégio Vicente Rijo
Maringá - 14h - Catedral
Paranavaí - 14h - Praça dos Pioneiros
Ponta Grossa - 15h - Praça Barão de Guarauna (Praça dos Polacos)
Rio Negro - 15h30 - Praça Lauro Müler em Mafra
Toledo - 14h - Lago Municipal

RJ - Rio de Janeiro

Niterói - 10h - Reitoria Universidade Federal Fluminense
Resende - 14h - Calçadão Campos Elíseos
Rio de Janeiro - 11h - Praia de Copacabana em frente à R. Sousa Lima, Posto 5
Volta Redonda - 09h30 - Praça Brasil

RN - Rio Grande do Norte

Caico - 16h - Av. Renato Dantas (Rodoviária)
Mossoró - 16h - Rua João Marcelino (Praça do Diocesano)
Natal - 15h - Midway Mall

RO - Rondônia

Presidente Medici - 15h - Av 30 de junho (Auto Posto Santa Maria)

RS - Rio Grande do Sul

Alegrete - 15h - Praça Nova (Camelódromo)
Cachoeira do Sul - 13h30 - Paço Municipal (Cheateau d'Eau)
Canela - 13h30 - Catedral da Pedra
Canoas - 15h - Praça do Avião
Caxias do Sul - 15h30 - Praça Dante
Erechim - 14h - Praça da Bandeira
Espumoso - 15h - Praça Borges Medeiros
Imbé - 14h - Prefeitura
Lajeado - 15h - Parque Theobaldoo Dick
Novo Hamburgo - 15h - Praça Punta Del Este
Pelotas - 15h - Praça Cel. Pedro Osório
Porto Alegre - 16h - Parcão
Santa Cruz do Sul - 15h - Praça do Palacinho
Santa Maria - 14h - Praça Saldanho Marinho
Sapiranga - 15h - Parcão
São Gabriel - 14h - Trevo entrada da Cidade
Vacaria - 15h - Praça Daltro Filho

SC - Santa Catarina

Balneário Camboriú - 15h - Praça Almirante Tamandaré
Blumenau - 14h - Em frente a Prefeitura
Brusque - 10h - Praça da Prefeitura
Campos Novos - 16h - Praça Lauro Muller
Chapecó - 10h - Praça Coronel Bertado
Criciúma - 16h - Parque das Nações
Florianópolis - 15h - Trapiche da Beira-Mar
Itajaí - 15h - Beira Rio (Av. Min. Victor Konder)
Itapema - 15h - Praça da Paz
Jaraguá do Sul - 15h - Praça Angelo Piazera
Joinville - 15h - Praça da Bandeira
Mafra - 15h30 - Praça do Alto de Mafra
Maravilha - 17h - Praça da Matriz
Timbó - 09h - Prefeitura

SE - Sergipe

Aracaju - 15h - Treze de Julho

SP - São Paulo

Adamantina - 16h - Praça Élio Micheloni
Americana - 16h - Praça do Trabalhador
Araraquara - 15h - Teatro Municipal
Araras - 15h - Praça Barão de Araras
Araçatuba - 09h30 - Av. Brasília x Pompeu
Atibaia - 10h - Praça da Matriz (Centro)
Batatais - 10h - Igreja da Matriz
Bauru - 09h30 - Av. Getúlio Vargas (Em frente a PF)
Bebedouro - 10h - Praça da Matriz (Concha Acústica)
Botucatu - 10h - Largo da Catedral
Campinas - 14h - Largo do Rosário
Capivari - 16h - Praça Central
Cerquilo - 15h - Praça do Convivio
Franca - 15h - Catedral
General Salgado - 10h - Calçadão
Guarulhos - 11h - Bosque Maia
Indaiatuba - 09h30 - Parque Ecológico
Itú - 16h30 - Igreja Matriz
Jacarei - 10h - Praça da Cidade
Jaú - 15h - Praça do Beko
Jundiai - 09h30 - Av. Nove de Julho
Limeira - 15h - Praça Toledo de Barros
Mato Grosso do Sul (MS) - 15h - Praça Antônio João
Mogi Das Cruzes - 09h - Praça Oswaldo Cruz (Praça do Relógio)
Mogi-Guaçu - 14h - Campo da Brahma
Osasco - 14h - Estação de Trem
Ourinhos - 16h - Praça Mello Peixoto
Penápolis - 09h - Santa Leonor
Pindamonhangaba - 15h - Praça da Cascata
Piracicaba - 09h - Praça José Bonifácio
Piraju - 13h - Praça Matriz São Sebastião
Pirassununga - 15h30 - Praça Central da Matriz
Pompeia - 09h - Via expressa em frente a rotatoria da Unipac
Presidente Venceslau - 14h - Praça Nicolino
Promissão - 10h - Praça Nove de Julho
Ribeirão Preto - 10h - Praça XV
Rio Claro - 09h - Praça dos Bancos
Salto - 16h - Praça XV
Santa Bárbara D'Oeste - 16h - Em frente a Prefeitura
Santo André - 10h - Paço Municipal
Santos - 14h - Praça da Independência
Sertãozinho - 16h - Praça 21 de Abril (centro)
Sorocaba - 15h - Praça do Canhão
Sumaré - 10h - Praça das Bandeiras (Centro)
São Carlos - 10h - Av. Com. Alfredo Maffei (Praça do Mercado)
São José do Rio Preto - 10h - Em frente a Prefeitura
São José dos Campos - 14h - Praça Afonso Pena
São João da Boa Vista - 09h - Praça Cel. Joaquim José
São Paulo - 14h - Av. Paulista x R. Pamplona
Tatuí - 15h - Praça da Matriz
Taubaté - 15h - Praça do Batalhão
Ubatuba - 10h - Pista de Skate
Vinhedo - 14h - Portal

TO - Tocantis

Palmas - 16h - Praça dos Girassóis

Exterior (horário local)

Bariloche, Argentina - 15h - Centro Cívico
Cochabamba, Bolivia - 12h - Praça da Bandeiras
Dublin, Irlanda - 16h - Embaixada Brasileira
Lisboa, Portugal - 16h - Praça Luís de Camões
Londres, UK - 16h - Embaixada Brasileira
Miami, EUA - 15h - Bayside
Milão, Italia - 16h - Consulado Brasileiro
Nova York, EUA - 14h - Times Square, 45/46
Porto, Portugal - 16h - Consulado Brasileiro
Seattle, EUA - 14h - Seattle Mall
Sydney, Australia - 16h - Martin Place
Toronto, Canada - 14h - Queen's Park
Washington, EUA - 10h - Embaixada Brasileira

Total: 180 cidades 

domingo, 26 de julho de 2015

Por Trás da Máscara, de Flavio Morgenstern

Para mim, o melhor livro do ano é, sem dúvida, Por Trás da Máscara, de Flavio Morgenstern. Sou amigo e grande admirador do Flavio. Encontrei-o pela primeira vez no lançamento do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, de Leandro Narloch e Duda Teixeira, em 2011. Abordei-o na fila. Flavio disse que não costumava ser reconhecido em filas. Muita coisa mudou de 2011 para cá.

Estivemos juntos contra os comunistas que impediram que Yoani Sanchez falasse, em fevereiro de 2013. Estivemos juntos na manifestação de 15 de março contra Dilma. Estivemos juntos em inúmeros eventos em livrarias. Gosto muito de seu estilo e da sua técnica de esgotar os argumentos sobre o assunto de que trata. Invejo sua capacidade de produzir e seu talento. OK, ele é são-paulino. Ninguém é perfeito.

Li Por Trás da Máscara com o mesmo prazer com que aprecio seus artigos. Trata-se, na verdade, de um artigo um pouco mais longo que o habitual. Mas essas quase 600 páginas são sucintas demais.

O mês de junho de 2013 foi particularmente doloroso para mim. Meu pai sofreu um acidente em 31 de maio e faleceu em 2 de julho de 2013. Não pude prestar muita atenção nas manifestações, embora tenha sofrido as conseqüências delas, como todo mundo. Enquanto lia o livro, procurava relembrar o que fiz em cada um daqueles momentos. O detalhismo do Flavio compõe com clareza cada evento daqueles dias conturbados.

O livro começa analisando o que foi o Occupy Wall Street, o movimento de protesto que se instalou no Parque Zuccotti, em Nova York, entre 17 de setembro e 15 de novembro de 2011. A partir de um grupo inicialmente pequeno, composto exclusivamente por militantes, o protesto cresceu enormemente por causa de uma mentira, o boato plantado por um dos organizadores de que haveria um show do Radio Head no parque. Com uma quantidade suficiente de pessoas, realizou-se um ato de caos planejado, a marcha na ponte do Brooklin, que isolou a ilha de Manhattan do restante da cidade. Apesar dos esforços da polícia de evitar ao máximo o enfrentamento, o movimento acabou conseguindo o que queria: imagens de confronto entre policiais e manifestantes. Manipulando as narrativas, conquistou o apoio popular e permaneceu perturbando os cidadãos nova-iorquinos por dois meses. A tática era não declarar qual era sua pauta, quais os seus objetivos. Funcionou.

O principal argumento para o uso da força para desalojar os acampamentos foi a sujeira que produziram. Os manifestantes defecavam em todos os lugares…

Flavio expõe as origens do Movimento Passe Livre, formado por militantes do partidos de extrema esquerda: PSTU, PSOL, PCO e PCB, informação que não se acha na imprensa. Esses grupos não precisam de uma pauta de reivindicações, mas de pretextos para protestar e adquirir poder, forçando o aumento do papel do Estado em supostamente resolver problemas reais ou inventados. Qualquer coisa serve: racismo, ciclo ativismo, LGBTXYZ, liberação da maconha, o que for. Os transportes são um grave problema real das cidades brasileiras e se encaixaram perfeitamente nas necessidades dos militantes extremistas.

A dinâmica das manifestações é descrita com todos os detalhes relevantes. Desde os primeiros atos, houve um grau de violência assustador por parte dos militantes, o que colocou a imprensa e a população contra eles, num primeiro momento. Então, aproveitando-se de alguns erros cometidos pela polícia, exatamente como aconteceu em Nova York, os organizadores conseguiram atrair a simpatia da opinião pública, explorando imagens de confrontos. As pessoas naturalmente tendem a dar razão a quem parece mais fraco.

Flavio lembra de alguns cartazes dos manifestantes, como “Me chama de Copa e investe em mim!”, “Pelo fim do funk alto no busão”, “Só paramos quando o Kinder Ovo voltar a ser R$1,00” e “Vendo Palio 98”. O mais simbólico de todos foi “The jiripoca is going to pew-pew”. São frases auto-referentes que não dizem nada, só expressam o vazio de idéias dos protestos. Flavio propõe mais algumas: “Estou aqui pela mesma coisa do cara do meu lado”, “Piquet foi melhor do que Senna”, “Subsidiem o que eu gosto, proíbam o que eu não gosto” e outras 18 que você encontra no livro.

Um evento chama a atenção na narrativa: a invasão do prédio do Itamaraty, em 20 de junho. Uma multidão havia cercado o Congresso Nacional. De lá, passou pelo Palácio do Planalto e pelo Ministério da Justiça e seguiu, direcionada por empurrões estratégicos, para o Ministério das Relações Exteriores. A segurança desse prédio não é feita por policiais, mas pela Marinha. Os organizadores queriam um confronto contra as Forças Armadas. Diz Flavio Morgenstern:
“Se um único agente das Forças Armadas fosse flagrado dando um croque na cabeça de um manifestante, qual seria a narrativa nos jornais do dia seguinte? Algo melhor do que ‘Exército vai às ruas para reprimir manifestação pacífica’? Nosso país poderia ter-se tornado completamente diferente caso apenas um vidro a mais fosse quebrado. O primeiro que conseguisse se apresentar como liderança do protesto, então, conseguiria ter poderes muito maiores do que os outorgados pelo AI-5.”

Foi esse o risco que corremos em junho de 2013.

O último capítulo trata do assassinato do jornalista Santiago Andrade, atingido por um rojão disparado por dois black blockers, em fevereiro de 2014. Houve muitas mortes causadas pelos protestos, mas essa foi a primeira que claramente partiu dos manifestantes. 

Além da narrativa precisa e da análise das causas e conseqüências do movimento, o leitor é brindado com explicações preciosas sobre o pensamento de Elias Canetti, Ortega y Gasset, Eric Hoffer, Ayn Rand, Kuehnelt-Leddihn, sobre a experiência Milgram e sobre a oposição entre os significados originais das palavras democracia e república. Só esses trechos já valeriam o livro.

Senti falta de uma bibliografia no final. Também seria muito útil um índice onomástico (que imagino que aumentaria muito o número de páginas e talvez o custo do livro).

É curioso que, embora tenha sido publicado agora em 2015, o texto certamente estava pronto há mais ou menos um ano. Não há menção aos protestos contra Dilma, que começaram em 1º de novembro de 2014.

Já tem o seu? Não? O que está esperando? Corra para comprar Por Trás da Máscara!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Coragem!


O segredo da motivação é bastante simples. Para estar motivada, uma pessoa precisa acreditar em três coisas. A primeira é que, se ela fizer um esforço maior, o resultado do seu trabalho será maior. A segunda é que esse resultado fará diferença. E a terceira é que essa diferença vai ajudá-la a alcançar seus objetivos pessoais.

Acreditem, se cada um dos meus leitores fizer o esforço de ir às manifestações de domingo, de levar amigos e familiares, as manifestações serão um pouco maiores do que seriam se isso não acontecesse. Precisamos de manifestações grandes, significativas, que digam um sonoro “Fora PT” neste domingo. Isso fará diferença e tirará de cima do muro os políticos bananas que deveriam estar na oposição. Quando os políticos resolverem destituir o atual governo, ele cairá de uma vez, como um edifício implodido. Não sobrará nada para sustentá-lo.

Todos temos razões para nos desmotivarmos. A Operação Lava-Jato vem sendo atacada em várias frentes. As supostas lideranças da oposição não se posicionam. A imprensa também não faz seu papel e trata os maiores crimes como se fossem atos normais, além de minimizar ou ridicularizar tantas vezes as manifestações ou seus organizadores. Ouvimos muita gente dizer que derrubar o governo é impossível ou inútil.

Não é inútil, nem impossível. Na verdade, nem se pode dizer que o governo ainda existe. Dilma não governa mais, nada do que ela propõe prospera. Já são seis ministros demitidos em pouco mais de três meses. E o Brasil não pode continuar acéfalo por muito mais tempo. Precisamos de alguma coisa melhor que esse bando de trapalhões e precisamos agora, não depois.

Pode não parecer, mas os políticos são muito sensíveis ao sentimento da população. Eles sabem o quanto dependem de estar em paz com a opinião pública. Precisamos pressioná-los com muita clareza e com muita firmeza. Precisamos apoiar quem tem postura e coragem e apontar o caminho a quem não tem.

Nesta sexta-feira, a Operação Lava-Jato deu mais um passo importante, prendendo o ex-deputado André Vargas por crimes cometidos não na Petrobras, mas na Caixa Econômica Federal. É necessário que o povo expresse seu apoio aos procuradores e ao juiz Sérgio Moro, que estão fazendo um trabalho heróico de defesa do país.

Não vamos esperar que alguém nos salve. Quem tem de nos salvar somos nós mesmos. Vamos liderar a marcha e os políticos nos seguirão. Existe uma frase atribuída a Thomas Paine, que diz: “Either lead, follow or get out of the way!” Ou lidere, ou siga, ou saia do meio do caminho! É essa a mensagem aos políticos da oposição. Eles poderiam liderar o movimento se quisessem. Cada um deles ainda pode nos seguir. Quem não quiser fazer parte, por favor, saia da frente.

Hoje, na Venezuela, a carne é racionada. Papel higiênico é um luxo que os venezuelanos não têm há muito tempo. Alguém quer isso para o Brasil? É o que teremos, se este governo não cair. Quero continuar morando no Brasil. Gosto de falar português, quero que meus filhos e netos vivam aqui. Você também quer isso? Então, vamos fazer do Brasil um lugar mais habitável.

Collor demorou seis meses para ser afastado. Mas seu final foi como uma avalanche. Este governo só se sustenta se o povo se acomodar. Ninguém está pedindo sangue, suor e lágrimas. Apenas que as pessoas compreendam a gravidade do momento histórico e manifestem isso de uma maneira muito simples: ocupando as ruas no dia 12 de abril.

Precisamos de paciência, perseverança e coragem. Coragem!

segunda-feira, 16 de março de 2015

Uma elite moral de todas as cores

Também vou fazer meu relato da manifestação de 15 de março, esse dia do qual não vamos nos esquecer.

Vesti a camiseta que minha esposa estampou para a manifestação e fui de metrô para a Paulista. A quantidade de gente vestida com as cores da bandeira brasileira era impressionante. Acabei chegando meio tarde à avenida, junto com alguns amigos, quando a multidão já tinha ocupado quase todo o espaço.

Meu celular logo ficou sem sinal e eu consegui procurar nenhum dos muitos amigos que estariam na manifestação. Fotografo muito mal, tirei poucas fotos, não consegui registrar várias coisas interessantes que vi. Foi pena não ter registrado um catador de latinhas todo adesivado de “Fora Dilma”.

Avançávamos cada vez mais devagar na direção do Masp. Fomos perdendo algumas pessoas do grupo, sem conseguir encontrá-las novamente. Cantamos o Hino Nacional, gritamos: “Eu vim de graça!” e “Ei, Dilma, vai…” Um grito de guerra sensacional era: “O povo paulista jamais será petista!”

A elite branca e eu
Paramos numa rua lateral ao lado do Masp. Não dava para continuar. Um amigo meu encontrou amigos dele, que são bombeiros. Estavam com a família. Víamos muitas famílias, crianças de todas as idades, bebês em carrinhos, idosos. Um grupo de maçons, um casal muçulmano, alguns travestis, cadeirantes, indivíduos dos tipos mais diversos, todos gritando “Fora PT”. As lanchonetes e as lojas estavam abertas, funcionando normalmente. Chovia, mas não muito forte. Ninguém ligava para a chuva.

De repente, vi um pessoal gritando “Eu vim de graça!” e “Fora PT” para alguém que estava no meio da multidão. Era Lucas Salles, do CQC. Não assisto TV, não sabia quem era. Ele ofereceu a quem quisesse a oportunidade de dizer o que quisesse no microfone. E as pessoas conversaram com ele. Também pedi para falar e ele me entrevistou. Perguntou porque eu estava lá, o que eu pretendia, como funcionava um impeachment. Parece que ele precisa estudar mais o assunto. Mas não passou no programa.

A Maçonaria encontra a Reaçonaria
Ainda era cedo, mas a quantidade de pessoas diminuiu um pouco e consegui chegar até a frente do Masp. Lá, encontrei o pessoal da Reaçonaria em peso. Ouvi alguns discursos do Movimento Brasil Livre. Assinei o pedido de abertura do processo de impeachment. Pulamos dizendo "Quem não pula é comunista", satirizando os palhaços do PC do B que impediram Yoani Sánchez de falar em São Paulo em 2013.

O MBL anunciou que Dilma provavelmente faria um pronunciamento às 18h30. Ficamos na expectativa, mas não aconteceu nada. Os celulares funcionavam muito mal, quando funcionavam. A rede não é feita para essa concentração de pessoas.

Como nos jogos do Japão na Copa do Mundo, passaram algumas pessoas recolhendo o lixo da rua. Ajudamos.

Já estava anoitecendo e as pessoas iam se dispersando. Saímos da Paulista por uma rua lateral. Estavam parados vários carros de polícia e caminhões do Batalhão de Choque. Por sugestão do Flávio Morgenstern, passamos por eles aplaudindo.

Um sanduíche de mortadela opressor
Fomos comer alguma coisa. Não perdi a oportunidade de pedir um sanduíche de mortadela especial, em homenagem ao MST. Meu sanduíche foi pago meu dinheiro. Os do MST também. Na TV da padaria, os dois patetas que a presidente escalou para aparecer no lugar dela falavam groselhas. Não fomos à rua pedir aumento de pena para os corruptos, nem reforma política. Ouvimos barulho de panelas.

Era tarde para mim e fui embora. A Paulista estava absolutamente normal. Nada indicava que mais de um milhão de pessoas havia acabado de sair dali. 

Vamos nos encontrar de novo na quarta, no lançamento do livro do Rodrigo Constantino, Contra a Maré Vermelha, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. E, se o governo não cair antes, dia 12 de abril tem mais.

Muitas pessoas ficaram com receio de ir às manifestações. É compreensível, não sabíamos o que o outro lado da força poderia preparar. Agora sabemos, fiquem tranqüilos. Quem está com medo são eles e é assim que deve ser. Em manifestações de gente honesta e trabalhadora, não há espaço para black blocs. A próxima tem de ser maior que esta.

Quero expressar meu imenso orgulho de ter participado desse evento único na história do Brasil ao lado de tanta gente decente. São de fato uma elite. Uma elite moral de todas as cores.

Fora PT! Fora Foro de São Paulo!

Art. 85, inciso V

sábado, 15 de novembro de 2014

A imprensa e as manifestações de 15 de novembro

Como no dia 1º, cidadãos saíram as ruas, em diversas cidades brasileiras, para defender a democracia e a liberdade e protestar contra o governo. As manifestações foram muito maiores e mais numerosas desta vez. Quantas pessoas protestaram? Em quantas cidades? Não sabemos. Não saberemos.

Infelizmente, a imprensa não cobre as manifestações. As pessoas que exigem investigação dos escândalos, respeito à liberdade de imprensa e fim do apoio a ditaduras estrangeiras estão sendo ignoradas, escondidas e caricaturadas. Distorce-se a pauta do movimento. Acusa-se de golpistas aqueles que clamam por transparência no processo eleitoral e responsabilização efetiva dos envolvidos em gigantescos esquemas de corrupção. Subestima-se o número de participantes das passeatas contra o governo e superestima-se a quantidade de gente (muitas vezes paga ou coagida) em eventos orquestrados a favor. Ou se ignora completamente que uma multidão está protestando.

O Jornal Nacional, aparentemente, não considerou notícia os eventos. Não assisti, cheguei em casa quando já tinha terminado. O site do JN não faz nenhuma referência a protestos.

A Reaçonaria reportou aqui como foi o dia na Paulista e mostrou fotos de Brasília, Goiânia, Natal, Porto Alegre e Recife. Apareceu em São Paulo um caminhão de som com cartazes pedindo intervenção militar. A Reaçonaria tuitou isto:







A cobertura da Folha é totalmente contrária aos manifestantes, inteiramente calcada nos pedidos de intervenção militar. Também noticia qualquer protesto contra Geraldo Alckmin, com qualquer quantidade de gente, com o mesmo peso que dá aos milhares (“cerca de mil”…) que estiveram na Paulista. A cada dia, o jornal demonstra que Washington Olivetto tinha razão.

O Estadão foi mais equilibrado, relatando que havia quatro grupos e quatro carros de som. Um deles defendia intervenção militar, o que foi rejeitado pelos outros três. Segundo o jornal, houve uma batalha de microfones na concentração. Mencionam-se pequenos protestos em Brasília, Rio e Belo Horizonte. Não se fala nos que ocorreram em dezenas de outras cidades brasileiras.

Gostei bastante da cobertura deste site aqui, que vi pela primeira vez hoje: www.ultimoinstante.com.br. Outra fonte preciosa são colunistas como Reinaldo Azevedo e Felipe Moura Brasil. Este último escreveu este post sobre a completa ausência do Foro de São Paulo no noticiário. O Foro de São Paulo, entidade fundada por Lula e Fidel Castro em 1990, que congrega diversos partidos bolivarianos e algumas organizações criminosas ligadas ao narcotráfico é denunciado sistematicamente por Olavo de Carvalho há décadas e é ignorado sistematicamente por quase toda a “mídia golpista”, como dizem os petistas, desde então.

Não tenho como acompanhar a imprensa inteira, mas fica claro quando se olham os principais veículos, que não é por meio deles que conseguiremos saber o que está acontecendo atualmente no Brasil. 

sábado, 1 de novembro de 2014

As Manifestações de 1º de Novembro

Seis dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, houve protestos contra o PT em diversas cidades do Brasil. O maior deles foi em São Paulo, com cerca de 20.000 pessoas, pela estimativa de quem esteve lá. Manifestantes também marcharam em Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Campo Grande, Goiânia. Alguns sites falam em protestos em 28 cidades. É difícil dizer quantas pessoas participaram em cada lugar. Os principais veículos da imprensa dão estimativas muito aquém da realidade de São Paulo e ignoram completamente as outras cidades.

A pauta das manifestações é composta de quatro pontos:

1) Respeito à liberdade de imprensa.
Depois dos recentes ataques à revista Veja por causa das reportagens sobre o escândalo na Petrobras e de todas as tentativas de cerceamento da imprensa durante os governos do PT, é necessário apoiar e defender a liberdade de imprensa no Brasil.

2) Investigação do uso político dos Correios nas eleições.
Há indícios de que o Partido dos Trabalhadores se utilizou de uma estatal para obter vantagens ilícitas em uma eleição. Se o crime for comprovado, isso é base para a impugnação da candidatura de Dilma Rousseff.

3) Fim do apoio do governo do Brasil a ditaduras e fim do financiamento de obras em países que não respeitam os direitos humanos de sua população.
O Brasil governado pelo PT demonstrou apoio e estabeleceu cooperação com diversas ditaduras, especialmente a cubana e a venezuelana. Suas lideranças recebem dinheiro brasileiro por meio de financiamentos do BNDES e do programa Mais Médicos. Essas ligações são suspeitas do ponto de vista estratégico e financeiro e constituem uma grave ameaça à nossa democracia.

4) Prisão e cassação dos direitos políticos de todos os envolvidos com o escândalo na Petrobras.
O escândalo do Petrolão, assim como o do Mensalão, não é um simples caso de corrupção, mas uma tentativa de golpe de estado. Os responsáveis por este crime contra as instituições democráticas brasileiras devem ser punidos até as últimas conseqüências.

Acreditando que seja possível comprovar definitivamente a responsabilidade da presidente Dilma Rousseff pelos crimes do Petrolão, os manifestantes defendem a abertura de um processo de impeachment contra ela.

Não houve incidentes em nenhuma das cidades. Diferentemente das badernas de junho de 2013, que sempre, como é mesmo?  “começavam pacíficas”, mas eram “infiltradas por vândalos”, ninguém quebrou nada, ninguém atacou a polícia, não aconteceu nenhum tipo de confronto nem de destruição de patrimônio público ou privado.

É um momento muito particular este que vivemos. Pela primeira vez desde 2002, as pessoas estão de fato mobilizadas para resistir contra o governo. Apesar da vitória nas eleições, o PT nunca esteve tão fraco e acuado. As pessoas parecem estar realmente cansadas de mentiras, desmandos, autoritarismo e desrespeito. Não se sentem representadas pela oposição tíbia e hesitante que tivemos durante estes 12 anos e não querem mais esperar. Pretendem fazer alguma coisa para defender sua liberdade agora, não depois. Aliás, o PSDB já se apressou em dizer que não tem mesmo nada com isso.

Salta aos olhos a tentativa da imprensa em geral de abafar ou deturpar o que aconteceu ontem. O Jornal Nacional não fez menção aos protestos. O Globo, a Folha e o Estadão dividem por dez ou vinte o número de participantes e publicam fotos que fazem parecer que a Paulista está vazia. Entre tantas pessoas com tantas faixas diferentes, a Folha e o Estadão conseguiram entrevistar o mesmo cidadão que pedia “intervenção militar”. Será que é isso o que queria o restante da multidão? No UOL, a manchete é “São Paulo tem atos contra Dilma e Alckmin”, referindo-se aos 200 petistas que foram ao Largo da Batata promover o ato “Alckmin, cadê a água?”, dispersado pelo temporal que caiu à tarde. Sem dúvida, 200 petistas são tão ou mais importantes que 20.000 indivíduos sem partido. Com inimigos como esses, o governo não precisa de amigos.

Não sei se esse movimento vai continuar e ganhar força, mas é inédito. O governo certamente está assustado. Eles tem fontes de informação melhores que o Jornal Nacional e a Folha de S.Paulo.
Porto Alegre

Monumento às Bandeiras, em São Paulo



Curitiba

Campo Grande


Foto da Folha, do trecho final da manifestação, dando a impressão de que a
Paulista está vazia.

Foto de O Globo, no mesmo estilo.



Manifestação contra Fernando Henrique Cardoso, em 1999. Quem é golpista?