sexta-feira, 13 de junho de 2014

O direito de expressar indignação

Desde a abertura da Copa do Mundo, algumas pessoas vem se pronunciando contra a atitude do público. A presidente Dilma Roussef foi vaiada e xingada repetidas vezes durante o jogo Brasil x Croácia.

Em primeiro lugar, quero dizer que planejava vaiar Dilma do sofá da minha casa, quando ela aparecesse. E vaiar também pelo Twitter e pelo Facebook. Ainda guardo com carinho as camisetas que fiz em 2007, para mim e para minha filha, com a inscrição “Eu vaiei o Lula no Pan!”. Foi só pela televisão, mas foi muito bom. Fiquei frustrado porque, na hora em que o locutor anunciou Blatter e Dilma no estádio, todas as emissoras estavam passando comerciais. Depois dizem que “a mídia é golpista e direitista”. Os órgãos de imprensa todos protegem este governo até onde é possível.

As pessoas estão fartas de áulicos. Vemos, por toda parte, gente bajulando o governo. Alguns sendo bem remunerados por isso, com patrocínios do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras, Correios, BNDES, a lista não tem fim. Até a oposição bajula o governo na maior parte do tempo. De vez em quando, eles se lembram de se opor a alguma coisa. Quando é possível acontecer uma manifestação espontânea, como a da abertura da Copa, isso é uma verdadeira catarse, tanto para quem está lá como para quem gostaria de estar.

Às pessoas que reclamaram da falta de educação, pergunto: Já foram a um estádio de futebol alguma vez na vida? Já assistiram a um jogo pela televisão, que seja? Um estádio não é, de forma alguma, um lugar solene. Não é uma sessão do Congresso, não é um convento. O linguajar usado contra Dilma, rude, grosseiro, é o linguajar típico do ambiente em que ela estava. Quem decidiu trazer a Copa do Mundo para o Brasil e tentou capitalizar eleitoralmente o evento foi o governo do PT. Não deu certo; é hora de enfrentar as conseqüências.

Vi gente perguntando por que não vaiam o Alckmin. Céus! Cada vez que alguém critica o PT, é fatal vir esse coro: “Mas e o PSDB”? Gente, o PSDB resolveu trazer a Copa para o Brasil? Alguém viu o secretário estadual dos Esportes falar sobre a “aproximação da idéia da possibilidade” de os estádios ficarem prontos até dezembro de 2013? O Alckmin, por acaso, ocupou uma cadeia de TV para tentar faturar popularidade com a Copa? Foi ele quem disse que ir ao estádio de Metrô é babaquice e que as pessoas iriam até de jumento?

Pelo contrário. O governo do estado foi firme com a absurda greve do Metrô, conseguiu que tudo funcionasse normalmente no dia do jogo e a PM ainda teve de controlar um grupo de visigodos que tentou interromper a Radial Leste. O povo queria vaiar a Dilma mesmo.

Os piores são os que dizem que a manifestação das arquibancadas é ilegítima porque os torcedores são brancos, são paulistas, têm dinheiro para comprar ingressos. Para esses, paulista não tem liberdade de expressão. Branco não é cidadão. Só quem recebe Bolsa-Família deveria ter o direito de ter opinião, quiçá o de votar. Esse argumento é profundamente autoritário.

O governo federal paga, com o nosso dinheiro, uma rede de blogueiros progressistas e militantes do ambiente virtual (MAV), para inundar a Internet de xingamentos e acusações falsas contra os adversários do petismo. E a presidente vem posar de ofendida e relacionar a atitude da torcida à tortura da ditadura militar. Quem a xingou foi o povo, não os torturadores. E se Dilma foi torturada por uma ditadura, e todas as ditaduras são execráveis, isso aconteceu quando ela tentava implantar no Brasil uma ditadura muito pior.

Estamos cansados de mentiras. Estamos cansados do aparelhamento do Estado. Estamos cansados de ver e baderneiros sendo recebidos no palácio. Temos o direito de expressar nossa indignação. O grito contra Dilma e o PT estava entalado na nossa garganta. Viva a vaia!


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Lançamento de Diário de Classe em São Paulo

No dia 2 de junho, aconteceu o lançamento em São Paulo do livro de Isadora Faber, Diário de Classe. Antes dos autógrafos, houve um debate com apresentação do jornalista Gilberto Dimenstein e participação de Isadora, do educador Gil Giardelli e do professor de História do Colégio Santa Cruz, Marco Cabral.

Gilberto começou perguntando por que ela resolveu transformar a página do Facebook “nessa coisa careta” que é um livro. Isadora deu a resposta natural de que um livro é algo muito mais duradouro, permanente que uma página de Internet.

Gil Giardelli é o autor do prefácio de Diário de Classe. Ao ler, fiquei incomodado com uma referência meio gratuita ao caso do menor delinqüente que foi preso a um poste com uma tranca de bicicleta. Ele escreveu “A educação nos livra dos grilhões e nos ensina a não amarrar pessoas em postes.” OK e a educação também nos ensina a não cometer crimes. Fiquei mais incomodado ao ouvi-lo dizer, no debate: “Vamos se posicionar” (sic). Sinto uma reação quase física, corporal, quando um educador comete um erro de português. Mas o pior foi quando ele disse, sobre a geração “nem-nem” (nem trabalham, nem estudam), que “a culpa não é deles”. A culpa seria da educação que receberam, ou algo assim.

Não sei nada sobre o Colégio Santa Cruz. Pelo que ouvi no debate, pareceu ser uma escola muito ruim. O professor Marco Cabral disse que o Colégio considera que seu cliente não são os alunos ou seus pais, mas a sociedade como um todo. Eu não colocaria meus filhos em uma escola que considerasse que o cliente dela não somos meus filhos e eu.

Na maior parte do tempo, quem falou foram os três. A senhora que estava ao meu lado na platéia reclamou várias vezes que estava lá para ouvir a Isadora. A autora do Diário é muito simpática, mas também é muito tímida. Gilberto Dimenstein parecia querer constrangê-la, ao invés de tentar deixá-la mais à vontade, por exemplo falando repetidas vezes sobe a timidez dela.

O mais impressionante da história do Diário de Classe não foi o fato de ter começado, mas de ter continuado e chegado até onde chegou. Isadora mostrou que o rei estava nu. E continuou afirmando isso, apesar de toda a pressão, de ameaças, de boletins de ocorrência, de processos judiciais, de pedras jogadas contra sua casa que feriram sua avó. Ela não teve a solidariedade de quase ninguém dentro da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho. Comentando exatamente isso, o professor Marco Cabral citava a falta de instrumentos de democracia direta. Falei para a senhora a meu lado que, se houvesse democracia direta por lá, Isadora seria crucificada na quadra.

Uma informação importantíssima é que, segundo Isadora, as coisas estão voltando a ser como eram antes na Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, agora que ela se formou no ensino fundamental e mudou de escola. A mãe dela, que foi chamada ao palco, disse que foi a formatura mais comemorada da história da escola. Gilberto Dimenstein perguntou se Isadora preferiria ter estudado em uma escola privada. Ela respondeu que o ensino teria sido melhor, mas ela não teria tido a oportunidade de fazer o que fez e de aprender tudo o que aprendeu.

Ao final, Gilberto convidou as pessoas da platéia a participar do debate. Fiz duas perguntas. Primeiro, se depois de toda essa experiência difícil, de todos os problemas e de toda a falta de apoio, ela não chegava a sentir que a escola pública é simplesmente inviável. Segundo, mencionei a foto dela com A Revolta de Atlas, de Ayn Rand, nas mãos. Perguntei se ela leu alguma coisa de Ayn Rand e o que achou.

Isadora disse que leu A Revolta de Atlas e gostou. Gilberto pediu que ela falasse mais sobre o livro. Fiquei com a impressão de que ele não fazia idéia de quem é Ayn Rand. Ela só disse que ganhou o livro de um jornalista e que era muito bom. Sobre a escola pública, Isadora fundou uma ONG para apoiá-la. Não, ela não acha que a escola seja inviável.

Um pai, na platéia, contou que tinha filhos numa escola municipal em São Paulo e que a escola substituiu as festas de Dia das Mães e Dia dos Pais por uma festa “da pessoa que cuida de mim”. Ele havia proposto à escola que fizessem uma festa a mais, mas não cancelasse as outras festas, mas a escola não aceitou. Um amigo meu, nessa hora, disse para mim que o cara devia ter lido a história no Reinaldo Azevedo e estava contando como se tivesse acontecido com ele. Então, o pai disse que levou essa reclamação para vários lugares e que o Reinaldo Azevedo publicou a história dele. Queria muito ter conseguido conversar com esse pai. Ele disse que era carteiro e estava cursando graduação em História. Infelizmente, não o vi mais quando saímos do auditório.

A última pergunta do Gilberto para a Isadora foi sobre como ela imagina que será a vida dela daqui a dez anos. Ela respondeu: “Nem sei o que pode acontecer daqui a um ano.” Foi vivamente aplaudida.

Conversei um pouco com a mãe da Isadora depois de pegar meu autógrafo. Ela disse que as portas de todas as escolas municipais de Florianópolis estão fechadas para a ONG Isadora Faber. O fato é que o atual prefeito, Cesar Souza Junior, do PSD, quando candidato, usou sem autorização a imagem de Isadora em sua campanha, para atacar a administração anterior. A família de Isadora moveu um processo contra ele.

Como já escrevi antes, independentemente do que Isadora faça daqui para frente, de suas escolhas políticas ou das pessoas a quem ela se associe, admiro muito o que ela fez, sua coragem e determinação. Sua história é a história de um indivíduo lutando contra os abusos de poder das autoridades constituídas, usando como ferramenta apenas sua liberdade de expressão. Eu gostaria de ser Isadora Faber.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

70 Anos do Dia D

Em 5 de junho de 1944, o general Dwight D. Eisenhower disse uma das frases mais importantes da Segunda Guerra Mundial e, talvez, da história humana: “OK, vamos.” Era a ordem final para proceder, no dia seguinte, à Operação Overlord, o desembarque dos aliados na Normandia, o Dia D.

Foi uma decisão arriscada, porque as condições meteorológicas não eram exatamente favoráveis, mas, se não aproveitassem aquela breve melhora do tempo, talvez a operação fosse adiada indefinidamente.

Eisenhower visita as tropas, em 05/06/1944, momentos antes do embarque
para o Dia D.

Este post é uma pequena homenagem àqueles que lutaram pela liberdade na Segunda Guerra Mundial, a um custo tão elevado. Poderíamos não estar aqui hoje, ou estar em um mundo completamente dominado pela opressão. Não existe agradecimento suficiente aos heróis que entraram na Normandia, em 6 de junho de 1944.

Cemitério de soldados aliados mortos na Normandia

Aqui jaz, em honrosa glória, um companheiro de armas
conhecido apenas por Deus.


Túmulo de um soldado judeu


Talvez o soldado mais alto do exército alemão,
rendendo-se ao cabo britânico Bob Roberts, no Dia D.









domingo, 1 de junho de 2014

O Deus da Máquina, capítulo XXI


Se o capítulo anterior é o mais importante e mais famoso, o capítulo XXI de O Deus da Máquina, Nosso Sistema de Educação Niponizado, traz uma discussão de extrema importância para o Brasil de hoje, em que ouvimos propostas para que se gaste 10% do PIB com a educação pública. Isabel Paterson analisa a educação pública nos Estados Unidos (em 1943), critica violentamente a educação “progressista” e compara a filosofia educacional americana com a filosofia educacional japonesa do século 19.

sábado, 31 de maio de 2014

Nosso Sistema Educacional Niponizado

O Deus da Máquina, capítulo XXI
Nosso Sistema Educacional Niponizado
Isabel Paterson, 1943

A era humanitária se gaba, desde o século passado1, ou antes, de que realizou uma mudança fundamental nos métodos e objetivos da educação. O sistema preferido é chamado de educação progressista. Qualquer tentativa de definição desse sistema pode ser contestada, porque seus defensores nunca estabeleceram uma definição exata; mas vamos procurar descrevê-lo nos termos mais generosos, abertos a correções. Digamos que a educação progressista busca tornar o ensino escolar uma experiência agradável; proíbe punições concretas; busca ao mesmo tempo estimular a autoexpressão das crianças mais novas e a consciência social dos alunos mais velhos; e alega ensinar as crianças a pensar utilizando projetos experimentais e apresentando tópicos atuais controvertidos para discussão geral, sem princípios dogmáticos.

Ao contrário, a educação à moda antiga supunha que não existe um caminho fácil para o aprendizado. Dava autoridade suficiente ao professor para qualquer castigo disciplinar necessário. Apresentava fatos concretos e princípios concretos. Desencorajava a autoexpressão imatura, procurava fortalecer o caráter pelo autocontrole contra o impulso social; e associava a responsabilidade pessoal a cada grau de emancipação da regra de obediência para as crianças. Ensinava-as a pensar pelo uso da lógica formal sobre exemplos impessoais; enquanto questões contemporâneas eram mantidas fora da sala de aula o máximo possível.

Qual é, na realidade, o tipo de educação mais moderno?

Há quarenta anos2, Lafcadio Hearn3 descreveu os princípios e métodos educacionais do Japão, comparados aos do mundo ocidental. Tradicionalmente, segundo Hearn, a educação ocidental começava na primeira infância “com a parte repressiva do treinamento moral. […] É importante inculcar os deveres do comportamento, o ‘devo’ e o ‘não devo’ da obrigação individual, tão cedo quanto possível. Depois, mais liberdade será permitida. A criança bem educada é levada a entender que seu futuro dependerá de seu esforço pessoal e de sua capacidade; e, portanto, em grande medida, deixa-se que ela cuide de si mesma, sendo ocasionalmente advertida ou avisada, conforme pareça necessário. […] Ao longo de todo o caminho do treinamento mental e moral, a competição é não apenas esperada como exigida. […] O objetivo é cultivar a habilidade individual e o caráter pessoal — criar um ser independente e vigoroso.”

“A educação japonesa sempre foi conduzida no plano reverso. Seu propósito nunca foi treinar o indivíduo para a ação independente, mas treiná-lo para a ação cooperativa. […] A restrição entre nós começa com a infância e gradualmente é relaxada; a restrição no treinamento do Extremo Oriente começa mais tarde e, daí em diante, é gradualmente aumentada; e não é uma restrição imposta diretamente pelos pais e professores. […] Não apenas na idade da vida escolar, mas consideravelmente além dela, uma criança japonesa desfruta de um grau de liberdade muito maior do que é permitido às crianças ocidentais. […] É permitido à criança fazer o que quiser. […] Ela é protegida, mas não restringida; advertida, mas raramente forçada.” Se uma punição se torna absolutamente necessária, “pelo antigo costume, a casa inteira, incluindo os empregados, intercede em favor do transgressor; os irmãos e irmãs pequenos implorando para serem punidos no lugar dele. Na escola, começa a disciplina […] mas não há punição além de uma repreensão pública. Qualquer restrição que exista é exercida sobre a criança principalmente pela opinião comum de sua classe; e um professor habilidoso é capaz de controlar essa opinião. […] O poder reinante é sempre o sentimento da classe. […] Nas escolas médias, a opinião da classe adquire uma força para a qual o próprio professor tem de se curvar; é capaz de expulsá-lo se ele tentar se sobrepor a ela. […] É sempre o poder do coletivo sobre o indivíduo; e esse poder é formidável.”4

O objetivo final vem do ideal social japonês. Por mais de mil anos, pelo menos, o mais puro altruísmo é ensinado aos japoneses, no culto comunal. “A simples idéia de que alguém tenha o direito de fazer o que quiser não entra na mente japonesa. […] O tempo e o esforço de um homem jamais podem ser considerados exclusivamente seus. Seu direito de viver repousa unicamente em sua disposição de servir à comunidade. O indivíduo foi completamente sacrificado em nome da comunidade. […] Cada membro de uma comunidade deve observar cuidadosamente a conduta de seus companheiros.” Para que não pudesse haver nenhuma chance de iniciativa ou escolha pessoais, todo o trabalho era completamente controlado por guildas; e todos os bens eram distribuídos pela autoridade, de maneira que a quantidade e o tipo de posses que uma pessoa poderia ter era determinado minuciosamente. Um pai não poderia comprar nem mesmo uma boneca de papel adicional para sua filha. Qualquer desvio de conduta seria punido de maneira instantânea e implacável. Até a linguagem refletia esse código de ética altruísta, evitando o uso de pronomes pessoais e modificando-os para um significado social.

O resultado, na vida adulta, é “a sinistra ausência de liberdade moral — a ausência do direito de agir de acordo com suas próprias convicções de justiça”. De fato, não pode existir conceito de justiça se a única autoridade é a autoridade da massa, do coletivo, do governo em sua máxima abrangência. E o comportamento atual dos japoneses na guerra, inclusive sua atitude com os prisioneiros, é totalmente consistente com sua tradição. Seja o que for que façam a seus inimigos — e são eles que determinam quem é inimigo e iniciam o ataque — não é pior do que impuseram a si mesmos “pelo bem da sociedade”.

Desde que Hearn fez essas observações, a educação ocidental vem se movendo continuamente na direção dessa base japonesa; é sua tendência “progressista”. Atividades de classe, interesses de grupo, influências sociais se tornaram predominantes. E a filosofia prevalecente com a qual os alunos são doutrinados é a do “instrumentalismo”, que nega que possa haver valores ou padrões morais permanentes ou universais de algum tipo. O resultado mais chocante nos alunos é exatamente essa “sinistra ausência de liberdade moral”. Nem provas nem lógica conseguem penetrar nas brumas em que são formados. É difícil fazer com que um deles chegue a qualquer conclusão, quando separados do grupo. Dirão: “Bem, eu só acho que não”, como se não pudesse haver fatos ou processos mentais associados que levam a uma opinião em vez de outra ou diferenciam uma convicção de um gosto. Eles têm a impressão de que “tudo é diferente agora” de qualquer coisa que possa ter existido no passado; embora não tenham idéia de como ou por quê. Dois mais dois não são quatro? Uma alavanca não funciona hoje exatamente pelos mesmos princípios com que funcionava para Arquimedes? Eles não sabem ao certo. Podem dizer: "Ah, não concordo com você", mas não dão nenhuma razão para a discordância. “Não estão convencidos”, mas não conseguem oferecer um argumento para refutar. Ou seja, quando convidados a pensar, não conseguem, porque foram treinados para aceitar a classe, o grupo ou a “tendência social” como única autoridade. Até onde isso é possível, foram reduzidos a “gânglios”, processos neurais em um “corpo” coletivo, em vez de pessoas.

A orientalização dos métodos de ensino no Ocidente têm efeitos até nos detalhes. O grande uso e valor do alfabeto fonético, em oposição à escrita pictográfica (hieróglifos ou caracteres chineses) é que o aluno passa a dominar as ferramentas muito rapidamente. Em inglês, uma criança precisa aprender apenas vinte e seis letras e entender o princípio para combiná-las, como indicativos de sons, e saberá ler. O alfabeto fonético é um dos dispositivos que mais poupa trabalho na história humana. Com caracteres chineses ou qualquer outra escrita em ideogramas, milhares de símbolos têm de ser aprendidos. Grande parte da educação escolar é desperdiçada simplesmente com o trabalho penoso da memorização. Além disso, o pensamento abstrato é gravemente prejudicado. Mesmo assim, defende-se como um método “moderno” para ensinar uma criança a ler que ela aprenda pela memorização visual das palavras, sem aprender o alfabeto. Este método é atribuído a Bronson Alcott5: “Não havia cartilha, com a classe tentando arduamente identificar o A ou talvez o S. Em vez disso, os pequenos eram agrupados em volta do professor, que tinha uma figura nas mãos. Olhavam as figuras dos animais e, embaixo, viam as palavras — cão, gato, vaca — até que, em pouco tempo, sabiam qual palavra correspondia a qual animal.” Isso é ensinar leitura pictográfica. Até onde é possível, a vantagem do alfabeto fonético é anulada, inclusive a sistematização do conhecimento por referências em um índice. Outro método educacional “avançado” não dá notas em provas pelos acertos. Em vez disso, as notas são dadas indicando que a criança se saiu bem em relação a suas capacidades. Ou seja, o professor supõe possuir onisciência divina e age como se conhecesse de maneira absoluta as capacidades inatas da criança, por algum meio celestial, em vez de avaliar o resultado específico de um exame específico. A criança negligente é beneficiada e a criança esforçada, inteligente e conscienciosa perde o benefício merecido. Assim, de todas as maneiras, o fluxo natural de energia dos seres humanos, que na infância é adequadamente dirigido ao desenvolvimento da inteligência e do caráter, é interrompido e subvertido: o objetivo do estudo deixa de ser aprender coisas que são verdadeiras em si mesmas e desenvolver independência por meio desse conhecimento e passa a ser agradar e seguir uma autoridade arbitrária.

O fato concreto de que as escolas públicas americanas estão sob controle político não é reconhecido. As escolas começaram como organizações completamente separadas, com distritos que não tinham nenhuma ligação um com outro nem com qualquer agência política e podiam cobrar um imposto separado que não poderia ser gasto para nenhuma outra finalidade exceto a escola local. Por causa disso, ninguém percebeu que o campo primário de liberdade havia sido invadido no máximo alcance possível. Não pode haver maior extensão de poder arbitrário que tomar as crianças de seus pais, ensiná-las o que a autoridade decretar que deva ser ensinado e expropriar dos pais o dinheiro para pagar pelo processo. Se este princípio ainda não foi realmente entendido, imaginemos o que pensaria um pai que possui determinada fé religiosa, se seus filhos fossem tomados dele à força e se ensinasse a eles um credo oposto. Esse pai não reconheceria uma tirania evidente? Mas as pessoas argumentam que a religião não é de forma alguma ensinada nas escolas. Isso não modifica o princípio envolvido; embora tenha obscurecido a questão no início. A maioria dos pais estava disposta a pagar um imposto para a educação, e feliz por mandar seus filhos à escola. Tentaram manter o ensino estritamente laico. Além disso, quando os distritos educacionais eram pequenos e o conselho escolar composto por moradores locais conhecidos por todos, não era difícil para os pais saber o que estava sendo ensinado; e ter suas opiniões consultadas sobre a contratação ou manutenção de professores e a escolha de livros didáticos. A natureza intrínseca do poder delegado era tão sutil que isso era chamado de “free education”6, a mais completa contradição dos fatos com a terminologia de que a linguagem é capaz. Tudo nessas escolas é obrigatório, e não livre. A verdadeira natureza da instituição se desenvolveu de maneira tão completa de acordo com seus próprios princípios ao longo do tempo que hoje os pais ficam impotentes quando o conselho escolar admite que uma pequena parcela de professores é mentalmente desequilibrada. Os pais ainda são obrigados a entregar seus filhos ao poder desses professores, sob pena de multa. Os professores possuem “estabilidade”. Não podem ser exonerados.

Um dos primeiros “casos” pelos quais a “estabilidade” passou a parecer razoável para professores indica a total confusão de pensamento sobre o assunto, originada da incapacidade de se perceber o poder político em operação. Uma professora da Califórnia, de excelente caráter e competência para ensinar, foi demitida sem motivo por um conselho escolar corrupto. O caso foi levado ao tribunal. A professora foi reintegrada, com base no fato inequívoco de que ela tinha um contrato para o período e não o havia descumprido. Isso foi considerado razão suficiente para se estabelecerem medidas pelas quais um professor deve ser considerado contratado por tempo indeterminado, pois esse é o único significado de “estabilidade”. Porém, isso não tem absolutamente nada a ver com a questão original (cumprimento de um contrato) e anula o direito contratual do empregador. Ou seja, porque a professora sofreu uma injustiça para a qual a lei era competente para corrigir e corrigiu, foi proposto e colocado em prática que os pais devem sofrer a mesma injustiça, sem possibilidade de correção.

Também o famoso caso Scopes7, o “julgamento do macaco” em Dayton, Tennessee, foi discutido com igual calor e ignorância pelos dois lados. O Estado aprovou uma lei proibindo que os professores das escolas públicas lecionassem a teoria darwinista da evolução, ou seriam punidos. Um professor infringiu a lei e foi processado. É evidente que a lei era absolutamente imprópria; mas foi atacada com o argumento de que a teoria darwinista da evolução é verdadeira e que os cidadãos do Tennessee seriam caipiras desinformados.

Mas o que aconteceria se a evolução darwinista estivesse sendo ensinada normalmente nas escolas públicas do Tennessee e um pai tentasse deixar de pagar seu imposto de educação e se recusasse a mandar seus filhos para a escola por não querer que essa teoria fosse ensinada a eles? Quantos dos ardentes defensores do sr. Scopes teriam defendido esse pai? Tenho certeza de que nenhum. Tudo o que eles queriam era que o Estado determinasse que sua própria doutrina científica específica devia ser ensinada, em vez de outro credo heterodoxo. Não estavam absolutamente preocupados com a liberdade de pensamento, expressão ou crença. Não tinham a concepção de direitos pessoais ou autoridade justa. Não perguntaram se um professor poderia ter uma prerrogativa moral peculiar de ensinar a seus alunos algo que os pais não quisessem que fosse ensinado.

Em resumo, não questionaram o controle político da educação; apenas quiseram usá-lo eles mesmos. Não questionaram se esse controle político não é, por natureza, fadado a legislar contra as afirmações dos fatos e das opiniões no longo prazo, ao definir o currículo escolar. O conhecimento científico mais exato e demonstrável será certamente contestado pela autoridade política em algum ponto, porque exporá a insensatez dessa autoridade e seus efeitos viciosos. Ninguém pode demonstrar o absurdo sem sentido do “materialismo dialético” na Rússia, fazendo um exame lógico. Ninguém pode discutir biologia imparcialmente na Alemanha. E, se a autoridade política é considerada competente para controlar a educação, será esse o resultado em qualquer país.

Textos educacionais são necessariamente seletivos, no assunto, na linguagem e no ponto de vista. Onde o ensino é realizado por escolas privadas, haverá uma variação considerável entre as diferentes escolas; os pais devem julgar o que querem que seus filhos aprendam, pelo currículo oferecido. Então, cada uma deve se empenhar pela verdade objetiva; e, uma vez que não há autoridade pública para controlar a opinião, os adultos devem exercer o julgamento final sobre o que aprenderam na escola, depois de formados. Em nenhum lugar, haverá qualquer tentativa de forçar que se ensine a “supremacia do estado” como uma filosofia obrigatória. Mas todo sistema educacional controlado politicamente vai inculcar a doutrina de supremacia do estado mais cedo ou mais tarde, ou como direito divino dos reis, ou como “vontade do povo” na “democracia”. Uma vez que essa doutrina tenha sido aceita, torna-se uma tarefa quase sobre-humana quebrar a força repressora do poder político sobre a vida do cidadão. Seu corpo, sua propriedade e sua mente estarão nas garras do estado desde a infância. É mais fácil um polvo soltar sua presa.

Um sistema educacional obrigatório sustentado por impostos é o modelo completo do estado totalitário.

O alcance do poder exercido e suas implicações finais ainda não foram reconhecidos nos Estados Unidos, porque é permitido aos pais enviar seus filhos para escolas privadas ou educá-los em casa — embora, em todos os casos, eles tenham de pagar o imposto educacional. Mas, quando essa permissão é concedida e o padrão educacional é determinado, ela é revogável; não é mais um direito, mas uma permissão. Na Rússia e na Alemanha isso não é mais permitido.

Sem dúvida as boas pessoas perguntarão, em inocente perplexidade e com memória curta, como as crianças poderão ser educadas se não existirem escolas públicas obrigatórias sustentadas por impostos? A resposta é: pelas escolas privadas. Qualquer um que quisesse poderia abrir uma escola, para a qual os pais poderiam mandar seus filhos em troca do pagamento das mensalidades necessárias, que naturalmente variariam muito. A educação primária poderia ser dada em casa, como era comum nos Estados Unidos até cinqüenta anos atrás8; noventa por cento do conhecimento útil que uma pessoa média possui é certamente adquirido fora da escola. Quem ensinou a população dos Estados Unidos a dirigir automóveis? Isso não foi feito na escola, nem poderia ser. A habilidade prática pela qual o homem médio ganha a vida não é aprendida na escola. Não existe razão para supor que as crianças não seriam ensinadas. Antes da Guerra Civil, alguns estados do sul aprovaram leis tornando crime ensinar um escravo a ler e escrever. Isso significa que o desejo de aprender e a disposição de propagar o conhecimento são tão espontâneos e universais que só podem ser impedidos por punições legais, mesmo que o abismo social seja o que existe entre senhor e escravo.

Mas algumas crianças não permaneceriam analfabetas? Sim, como ocorre hoje e como ocorreu no passado. Os Estados Unidos tiveram um presidente que não aprendeu a ler e escrever até tornar-se adulto, mas casou-se e ganhava seu sustento. A verdade é que, em um país livre, qualquer pessoa que permaneça analfabeta poderia ser deixada assim; embora a simples alfabetização não seja em si uma educação suficiente, mas a chave elementar para uma parte indispensável da educação na civilização. Mas essa educação adicional na civilização não pode ser obtida, de forma alguma, sob o total controle político das escolas. É possível apenas em determinado padrão mental, no qual o conhecimento é procurado voluntariamente. Isso é verdade até mesmo na educação técnica, na qual se presume que exatamente a mesma tecnologia seja ensinada. Um famoso geólogo, que estudou campos de petróleo em todo o mundo, surpreendeu-se com o fato de que “somente os americanos encontram petróleo”9 tanto dentro como fora de seu país. Ele se perguntou: “Por que isso acontece?” Conheceu geólogos de habilidade natural igualmente destacada e com equipamentos técnicos equivalentes entre outras nacionalidades. E eles não encontravam petróleo mesmo que estivessem pisando nele, por assim dizer. Foi forçado a concluir que “o petróleo tem de ser procurado em primeiro lugar em nossa mente. O lugar onde o petróleo realmente está, em última análise, é em nossa cabeça.” Está no “estado mental da ordem social” — a mente livre. A mente livre permaneceu existindo nos Estados Unidos, apesar da intrusão constante do poder político no campo primário da liberdade na educação, porque a escolha e o esforço pessoal continuaram sendo os fatores governantes para se conseguir uma educação avançada, seja clássica ou técnica. O estudante cujos pais não podiam facilmente custear sua faculdade tinha de tomar a séria decisão de fazer o esforço por si mesmo e buscar os estudos que escolheu por sua própria iniciativa. E quando terminava a escola, tinha de correr os riscos de ganhar a vida da melhor maneira que pudesse, provavelmente adquirindo uma experiência variada e usando tanto as mãos como a cabeça, sem uma distinção de classe irrevogável para separar sua inteligência especulativa da aplicação prática.

Isso também pode mudar completamente em pouco tempo. O passo final no sentido de tornar a educação americana completamente japonesa já foi proposto. É escolher os alunos mais promissores nas escolas públicas, pagar seu curso nas diversas faculdades ou universidades com fundos federais e direcioná-los para cargos militares e burocráticos.

Os alemães são notavelmente instruídos; e têm excelentes escolas técnicas. Sua instrução permitiu que eles lessem Mein Kampf e sua tecnologia permitiu que construíssem uma máquina de guerra que vai destruí-los. É isso o que faz a educação controlada pelo poder político, depois que esse controle se torna completo. Desvia a energia humana para o beco sem saída dos canais políticos.

Podemos esperar um ressentimento rancoroso extremo dos profissionais da educação como resposta a qualquer sugestão de que eles devam ser desalojados de sua posição ditatorial. Isso será expresso principalmente em epítetos, como “reacionário”, o mais suave de todos. Contudo, a pergunta a ser feita a qualquer professor nesse estado de indignação é: “Você acha que ninguém voluntariamente confiaria seus filhos a você e o pagaria para ensiná-los? Por que você tem de extorquir sua remuneração e convocar seus alunos à força?”

1 Isabel Paterson se refere ao século 19. (N. do T.)
2 Por volta de 1900. (N. do T.)
3 Patrick Lafcadio Hearn (1850 - 1904): escritor que estudou a cultura e a sociedade japonesas. Nasceu numa ilha grega, de pai irlandês e mãe grega. Foi criado na Irlanda. Emigrou para os Estados Unidos aos 19 anos. Mudou-se para o Japão aos 40 anos, onde viveu o restante de sua vida. (N. do T.)
4 HEARN, Lafcadio. Japan: an interpretation.Macmillan, 1894. (N. da A.)
5 Amos Bronson Alcott (1799 - 1888): professor, escritor e filósofo reformista americano. (N. do T.)
6 Free education: no contexto, significa “educação gratuita”, mas literalmente, seria “educação livre”.
7 O Estado de Tennessee v. John Thomas Scopes (1925): famoso processo legal pelo qual o professor substituto John Scopes foi acusado de violar o Butler Act, do estado de Tennessee, que havia tornado ilegal o ensino da evolução humana em qualquer escola pública. Scopes não tinha certeza se de fato havia dado aulas sobre esse assunto, mas se incriminou de propósito para que o processo tivesse um réu. Scopes foi condenado a uma multa de 100 dólares, mas o veredito foi anulado por uma questão técnica. (N. do T.)
8 Por volta de 1890. (N. do T.)
9 PRATT, Wallace E. Oil in the Earth. University of Kansas Press. (N. da A.)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Hoje faz um ano do acidente do meu pai

Há um ano, meu pai subiu em uma escada de pedreiro para limpar uma luminária, na frente da casa dele. A escada resvalou para o lado e ele caiu de uma altura de três metros. Quebrou a bacia, foi internado, teve uma infecção hospitalar e faleceu depois de 32 dias.

Era a sexta-feira depois do Corpus Christi. Eu nem deveria estar trabalhando naquele dia, mas, na quarta, devido a alguns problemas urgentes, decidi ir para a empresa na sexta. Estava indo almoçar, muito atrasado, não lembro por que, quando minha mãe ligou. Ele já estava internado. Almocei assim mesmo, avisei os colegas do que tinha acontecido e corri para o hospital. Não vou repetir aqui cada passo da sua agonia, embora tudo volte a mente hoje.

Tínhamos planejado, meus pais e eu, visitar uma tia no dia anterior, mas ela desmarcou porque não estava bem de saúde. Nada me convence de que, se tivéssemos feito essa visita, meu pai não teria subido naquela escada no dia seguinte. (Mas poderia ter subido em qualquer outro momento, eu sei.)

Quando vou a um lançamento de livro, penso sempre “Papai iria gostar de ler este aqui.” Estou conversando com alguém sobre histórias antigas de família, ou sobre algum assunto que meu pai estudou e penso “Papai sabia isso. Agora, não tenho para quem perguntar.”

Meu pai pediu que eu procurasse citações das Metamorfoses, de Ovídio. Foi talvez a última coisa que ele me pediu. Li as Metamorfoses recentemente. Li também a Anábase, de Xenofonte, que ele mencionava sempre. E publiquei aqui o Crepúsculo Sertanejo, de Castro Alves, que ele gostava de recitar. É uma forma de continuarmos conversando.

Vejo meus filhos e sei que eles são as pessoas mais parecidas comigo que existem. Talvez eu seja a pessoa mais parecida com ele, embora em tantas coisas fôssemos muito diferentes.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Diário de Classe, de Isadora Faber

Sou fã de Isadora Faber desde que sua página de Facebook Diário de Classe ficou famosa, em agosto de 2012. Acompanhei as reformas que ela conseguiu que fossem feitas em sua escola, as merendas que ela fotografou, os Boletins de Ocorrência registrados por professoras, a epopéia da pintura da quadra e a agressão de que sua avó foi vítima.

O livro que ela está lançando, Diário de Classe - A Verdade, conta muito bem essa história. Com treze anos, indignada com os problemas da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, onde cursava a sétima série, Isadora resolveu criar uma página no Facebook, com a ajuda de uma amiga. Publicou algumas fotos de portas de banheiro quebradas, fios desencapados, merenda ruim e esperava ter talvez 50 seguidores. Conforme começou a haver alguma repercussão, os professores, funcionários e a direção da escola passaram a pressionar as meninas a desistirem da página. A amiga de Isadora de fato desistiu e essa foi sua primeira decepção.

A imprensa descobriu o Diário de Classe e, em pouco tempo, houve um interesse mundial pelo caso e o número de seguidores chegou a mais de 500.000. Muitas coisas que ela pedia foram feitas, a escola foi reformada, o professor de matemática que não dava aula foi demitido, as autoridades municipais de educação tiveram de dar muitas explicações à imprensa. Porém, a pressão contra Isadora continuou sem tréguas. Por outro lado, o apoio de pessoas desconhecidas, entidades no Brasil e no exterior, prêmios diversos, eventos diversos e participação em programas de TV. Mais de 150 páginas foram criadas pelo Brasil, com a mesma intenção de mostrar os problemas de escolas públicas.

O livro conta tudo isso de maneira muito bem organizada, com reprodução de muitos posts e a informação de quantos seguidores a página tinha a cada momento. Existe um link para cada notícia mencionada.

Hoje, Isadora não estuda mais em uma escola pública. Está cursando o primeiro ano do ensino médio em um colégio particular. Percebeu uma enorme diferença entre a escola pública e a privada. No ensino privado, curiosamente, as instalações são conservadas, os professores não faltam, as reclamações dos alunos e dos pais são ouvidas.

Isadora fundou uma ONG e pretende contribuir de alguma maneira para a educação no Brasil.

Independentemente do que ela faça daqui para frente, de suas escolhas políticas ou das pessoas a quem ela se associe, admiro muito o que ela fez, sua coragem e determinação. Sua história é a história de um indivíduo lutando contra os abusos de poder das autoridades constituídas, usando como ferramenta apenas sua liberdade de expressão. Eu gostaria de ser Isadora Faber.