domingo, 12 de fevereiro de 2017

Trump escolheu os países errados? Não é bem assim.


72 terroristas condendados vieram de um dos sete países temporariamente bloqueados


De acordo com as informações compiladas por uma comissão do Senado americano, pelo menos 72 pessoas condenadas por crimes relacionados ao terrorismo desde os ataques de 11 de setembro de 2001 eram provenientes de algum dos sete países relacionados na ordem executiva de Donald Trump sobre imigração.

Em junho de 2016, a Subcomissão do Senado para Imigração e Interesse Nacional divulgou um relatório sobre pessoas condenadas em casos de terrorismo desde 2001. Usando fontes públicas, porque a administração Obama se recusou a prover registros oficiais, constatou-se que eram estrangeiros 380 dos 580 condenados pela Justiça no período, por terrorismo. Foi feita uma lista contendo o nome dos criminosos, data da condenação, filiação a grupo terrorista, acusações criminais, pena, estado de residência e histórico de imigração.

A partir desses dados, o Center for Immigration Studies (CIS), uma entidade independente que faz pesquisas sobre imigração para os Estados Unidos, encontrou 72 indivíduos condenados por terrorismo cujo país de origem está na lista da ordem executiva de Trump: Iêmen, Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália e Sudão. Os pesquisadores do Senado não conseguiram obter informações completas sobre cada terrorista. Portanto, é possível que mais terroristas sejam originários desses países.

Os números por país são os seguintes:

Somália 20
Iêmen 19
Iraque 19
Síria 7
Irã 4
Líbia 2
Sudão 1
Total 72

Pelo menos 17 desses indivíduos chegaram à América como refugiados. Três entraram com visto de estudante e um com passaporte diplomático. 25 desses imigrantes se tornaram cidadãos americanos. Dez tinham permissão legal permanente de residência e quatro eram imigrantes ilegais.

Trinta e três foram condenados por crimes graves, como uso de uma arma de destruição em massa, conspiração para cometer um ato de terrorismo, apoio material a um terrorista ou a um grupo terrorista, conspiração para lavagem internacional de dinheiro, posse de mísseis ou explosivos e posse ilegal de arma automática.

Seguem alguns dados da lista dos 72 terroristas.

Nome País de origem Organização terrorista
Issa Dorch Somália Al-Shabaab
Basaaly Saeed Moalin Somália Al-Shabaab
Ahmed Nasir Taalil Mohammud Somália Al-Shabaab
Mohamed Mohamed Mohamud Somália Al-Shabaab
Mohamed Osman Mohamud Somália Al-Qaeda
Siavosh Henareh Irã Hezbollah
Mahamud Said Omar Somália Al-Shabaab
Manssour Arbabsiar (aka Mansour) Irã Qods Force (Iranian Islamic Revolutionary Guard Corps (IRGC)
Mohanad Shareef Hammadi Iraque Al-Qaeda in Iran (AQI)
Ahmed Hussein Mahamud Somália Al-Shabaab
Ahmed Abdulkadir Warsame Somália Al-Shabaab, Al-Qaeda in the Arabian Peninsula
Waad Ramadan Alwan Iraque Al Qaeda in Iraq (AQI)
Nima Ali Yusuf Somália Al-Shabaab
Mohamud Abdi Yusuf Somália Al-Shabaab
Amina Farah Ali Somália Al-Shabaab
Hawo Hassan Somália Al-Shabaab
Omer Abdi Mohamed Somália Al-Shabaab
Mohamed Mustapha Ali Masfaka Síria Holy Land Foundation for Relief and Development
Pirouz Sedaghaty Irã Al-Haramain Islamic Foundation
Abdel Azim El-Siddig Sudão Islamic American Relief Agency
Abdow Munye Abdow Somália Al-Shabaab
Ali Mohamed Bagegni Líbia Islamic American Relief Agency
Ahmad Mustafa Iraque Islamic American Relief Agency
Zeinab Taleb-Jedi Irã Mujahideen-e-Khalz (MEK)
Mohamed Al Huraibi Iêmen Hezbollah
Yehia Ali Ahmed Alomari Iêmen Hezbollah
Saleh Mohamed Taher Saeed Iêmen Hezbollah
Mohammed Ali Hasan Al-Moayad Iêmen Hamas
Mohammed Moshen Yahya Zayed Iêmen Hamas
Salah Osman Ahmed Somália Al-Shabaab
Mohammed Abdullah Warsame Somália Al-Qaeda
Wesam Al Delaema Iraque
Monzer Al Kassar Síria FARC
Emadeddin Muntasser Líbia Mujahideen-e-Khalz (MEK)
Nuradin M. Abdi Somália Al-Qaeda
Yassin Muhiddin Aref Iraque Ansar al-Islam
Saleh Alli Nasser Iêmen
Monassser Omian Iêmen
Sadik Omian Iêmen
Jarallah Wasil Iêmen
Elmeliani Benmoumen Iraque
Ahmed Hassan Al-Uqally Iraque
Abad Elfgeeh Iêmen Al-Qaeda and Hamas
Aref Elfgeeh Iêmen Al-Qaeda and Hamas
Ali Mohammed Al Mosalch Iraque
Omar Abdi Mohammed Somália
Rafil Dhafir Iraque
Numan Maflahi Iêmen Al-Qaeda
Ibrahim Ahmed Al-Hamdi Iêmen Lashkar-e-Tayyiba (LET)
Mukhtar Al-Bakri Iêmen Al-Qaeda
Enaam M. Arnaout Síria Al-Qaeda
Mohamed Albanna Iêmen
Nageeb Abdul Jabar Mohamed Al-Hadi Iêmen
Hussein Al Attas Iêmen Al-Qaeda
Mohadar Mohammed Abdoulah Iêmen Al-Qaeda
Nabil Al-Marabh Síria Al-Qaeda
Mohammed Husssein Somália Al-Qaeda
Mohammed Ibrahim Refai Síria
Omer Salmain Saleh Bakarbashat Iêmen
Hadir Awad Síria
Mustafa Kilfat Síria
Mohamed Abdi Somália
Kamel Albred Iraque
Haider Alshomary  Iraque
Wathek Al-Atabi Iraque
Hatef Al-Atabi Iraque
Fadhil Al-Khaledy Iraque
Mohammed Alibrahimi Iraque
Haider Al Tamimi Iraque
Ali Alubeidy Iraque
Alawai Hussain Al-Baraa Iraque
Mustafa Al-Aboody Iraque

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Está dando certo, continuem!



Ao longo do dia, muitas pessoas ligaram para o gabinete do presidente Michel Temer e do ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, dando apoio à indicação de Ives Gandra Filho ao Supremo Tribunal Federal. No final do dia, as secretárias perguntavam para quem ligava "é para dar apoio ao Ministro Ives Gandra?"

Continuem, está dando certo! Liguem, mandem e-mails, assinem as petições, entrem no site Fale com o Presidente. Façam sua voz ser ouvida.

O Supremo Tribunal Federal não pode ter advogados de partidos e movimentos políticos em sua composição. Não pode ter Ministros que legislem ou que achem o Direito na rua. O Supremo precisa sim de Ministros que respeitem as leis e os fundamentos do Direito.

Sigam as postagens no Facebook de Taiguara Fernandes de Sousa, que iniciou esta campanha e fiquem bem informados.

Gabinete do Presidente Michel Temer
(61) 3411-1200

Gabinete do Ministro Chefe da Casa Civil
(61) 3411-1573 / (61) 3411-1935

Site Fale com o Presidente

Abaixo-assinados

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Pressione Temer pela indicação de Ives Gandra Filho



Você quer que Ives Gandra Filho seja indicado Ministro do Supremo Tribunal Federal? Está cansado do loteamento político da Corte Constitucional brasileira? De Ministros que apóiam o MST, que foram indicados por José Dirceu, de advogados do PT, do “Direito achado na rua”?

Temos a chance de ter no STF uma pessoa comprometida com as causas liberais e conservadoras e, principalmente, com o respeito à lei. Ives Gandra Filho é um jurista sério e respeitado, de posicionamento indubitavelmente liberal nas questões econômicas e conservador nas questões de família. Toda a esquerda, especialmente suas ramificações na imprensa, ficou em pânico com a possibilidade de sua indicação e faz uma campanha mentirosa e sórdida para desgastá-lo. Taiguara Fernandes de Sousa tem escrito repetidamente sobre isso, por exemplo, nestes textos:


Paulo Briguet e Lhuba Saucedo também escreveram sobre o assunto.


Está na hora de pressionarmos para que o presidente Michel Temer sinta que existe um outro lado, que a opinião pública concorda amplamente com o pensamento do Dr. Ives Gandra Filho, que aqueles que lutaram pelo impeachment são a maioria e querem outros ares no Supremo Tribunal Federal.

Entrem no site do Palácio do Planalto, no endereço https://sistema.planalto.gov.br/falepr2/index.php, e expressem sua opinião. Assinem esta petição. Principalmente, liguem para o Gabinete do Ministro Chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, pelos números (61) 3411-1573 e (61) 3411-1935 e mandem e-mails para casacivil@presidencia.gov.br.


É necessário agir agora, antes que o presidente recue mais uma vez.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Você tem três minutos para ajudar a acabar com a invasão da UFSM?



Ajude a pressionar os órgãos públicos em três minutos, conforme este post:
https://www.facebook.com/desocupaufsm/photos/a.356295928050157.1073741828.355725868107163/361908444155572/

Você também pode adaptar o texto para outras Universidades invadidas.

Como fazer:
Passo 1 - Acesse o site da ouvidoria: http://www.agu.gov.br/ouvidoria
Passo 2 - Preencha seus dados (CPF, Nome, Endereço…)
Passo 3 - Na caixa de texto “Digite aqui a sua demanda”, cole o texto abaixo:

Gostaria de realizar uma denúncia sobre um movimento estudantil realizando paralisações de maneira ilegal na Universidade Federal de Santa Maria-RS. O alegado movimento não conta com o apoio da maioria dos alunos da Universidade. Invadiu diversos prédios da UFSM em manifestação contra a PEC 55, não permitindo que a Universidade mantenha seu funcionamento normal, e impedindo inclusive a entrada de alunos que precisam realizar pesquisas e atividades a que estão comprometidos por contratos que não prevêem férias e paralisações. Em muitos casos, essas pesquisas recebem recursos públicos de entidades como CNPq, CAPES e FAPERGS, além da própria UFSM. 

Além disso, muitos dos serviços prestados à comunidade pela Universidade estão paralisados. 

O Art. 5º da Constituição Federal garante diversos direitos individuais e coletivos. Entre eles, que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Este direito vem sendo sistematicamente ferido, na medida em que os alunos são impedidos de realizar suas atividades educacionais. 

Reza também o art. 5º, inciso XX, que “ninguém poderá ser compelido a associar-se ou permanecer associado a organizações". A não participação de boa parte dos alunos em assembléias e associações estudantis é suficiente para deslegitimar a ação de um movimento que pretende representar a totalidade dos alunos. 

Já o artigo 6º garante o direito à educação. Este direito também está sendo violado pelas invasões, assim como o direito de livre locomoção, citado no artigo 5º. 

O devido processo legal está sendo seguido e debates e consultas populares estão abertos com relação à PEC 55/2016 (outrora 241). A invasão de Universidade é flagrantemente ilegal e não é uma forma aceitável de manifestação dentro de uma democracia. Protestos poderiam ser realizados em outros espaços, sem que se prejudicassem os direitos fundamentais de alunos, professores, funcionários e da comunidade atendida pela UFSM. 

Nestes termos, peço à AGU que investigue os fatos que ocorrem na UFSM e que tome as medidas necessárias para restaurar o direito individual e coletivo à educação.

Aguardo resposta.

domingo, 6 de novembro de 2016

Golpe de 1964, por Suelem Carvalho



No dia 28 de outubro de 2016, Suelem Carvalho, professora de História na Universidade Estadual de Maringá, proferiu uma palestra na sede da ADESG - Associação dos Diplomados pela Escola Superior de Guerra em São Paulo, sobre o livro que escreveu em parceria com Itamar Flávio Silveira, Golpe de 1964.

O livro procura dar uma visão menos distorcida do que foi o período militar. Segundo a autora, é uma tentativa de reparação da injustiça contra os personagens históricos que lutaram contra o comunismo. Embora a luta armada tenha sido derrotada, o movimento comunista venceu a guerra cultural. A visão dominante na sociedade inteira é aquela que os comunistas criaram. É necessário questionar essa versão dos fatos, investigar o que verdadeiramente ocorreu e apresentar ao público uma história que ele desconhece.

Segundo Suelem Carvalho, o PT acabou contribuindo para expor o embuste da esquerda e provocou uma reação da sociedade contra as ambições totalitárias de seu governo. Hoje, há focos de resistência nas universidades e na Internet. É preciso aproveitar a oportunidade criada e iniciar uma atuação no terreno da guerra cultural, que a esquerda até agora dominou sozinha de maneira incontestável.

O título do livro é uma estratégia comercial da editora. Não seria o escolhido pelos autores, mas eles concordaram com a proposta da editora, esperando assim atingir um público mais amplo.

Suelem mencionou que Aristóteles já dizia que o discurso do agente político é diferente do discurso do cientista político. Enquanto um busca convencer e alterar as ações de outros homens para alcançar um objetivo político, o outro busca compreender a verdade. Temos agentes políticos demais dizendo fazer ciência política e fazendo simplesmente política.

O último capítulo do livro trata exatamente do marxismo cultural e da Escola de Frankfurt, analisando especificamente o pensamento de Erich Fromm e Herbert Marcuse. Esses autores defendiam a destruição dos valores da civilização ocidental como caminho para a construção de uma sociedade justa. A sociedade atual se fundamenta em instituições como a família, a escola e a igreja, que precisariam ser enfraquecidas e desmoralizadas. Para isso, todas as armas são válidas. A desinformação que vemos no atual movimento de invasão de escolas, que faz com que jovens acreditem que a PEC 241 vai privatizar as escolas públicas e demitir seus professores, é um exemplo da aplicação dos princípios da Escola de Frankfurt.

Quero acrescentar que fiquei muito interessado no trabalho da ADESG. Conheci alguns de seus membros e soube dos cursos e palestras que promove. São iniciativas valiosas que precisam ser divulgadas, especialmente os CEPEs, Cursos de Estudos de Política e Estratégia. Esses cursos são realizados em diversas sedes no Brasil e divulgam os ensinamentos doutrinários da Escola Superior de Guerra. Maiores informações em http://www.adesg.net.br/cursos-de-estudos.










Resumo da primeira prova do ENEM 2016




Novamente, o médico e advogado Sergio Nunes faz um comentário sobre os temas da primeira prova do ENEM.

Publicado originalmente em https://www.facebook.com/sergio.nunes.545/posts/1598101113548721.

ANÁLISE DO ENEM 2016
Para manter a tradição, fiz mais uma vez a análise do Enem, especialmente da Prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias, na perspectiva político-ideológica. Em termos gerais a prova mantém seu viés anticapitalista, antimercado, ambientalista, antiglobalização, com menção a autores marxistas, e mantendo o grande problema de não abrir espaço para o contraditório, para autores de linhas opostas. 
No entanto, houve uma discreta queda na abordagem parcial, um leve aumento de questões neutras, e uma leve melhora nos citados da linha esquerdista; um tipo de maquiagem tênue.
Assuntos:
- Contra a democracia deliberativa, contra negociação e consenso, a favor de ativismo de minorias que não faz concessão
- A favor do expansionismo chinês, contra visão ocidental
- Defende a visão trabalhista do Estado Novo
- Critica tecnologia industrial como fonte de desigualdade
- Questões sobre ambientalismo
- Questão afirmando uma coerção econômica que tolhe a liberdade
- Crítica contra expansão da fronteira agrícola
- Questão afirmando que a força de trabalho é equiparada a mercadoria
- Crítica a visão eurocêntrica
- Questão sobre feminismo
- Questão sobre "função social da cidade", como crítica capitalista
- Fala corretamente contra as ditaduras sul-americanas, no entanto quando menciona perseguição de oposicionistas, não menciona terrorismo e guerrilha na contraparte que buscava outra ditadura
- Pontos de evolução: menciona em uma questão avanço técnico das telecomunicações, expõe graves sinais de simpatia ao nazismo e anti-sionismo no Brasil no período do Estado Novo.
Autores mencionados ou citados:
- Adorno e Horkheimer (ícones marxistas da escola de Frankfurt)
- Karl Polanyi conhecido por sua oposição ao pensamento econômico tradicional, na vertente heterodoxa
- Francisco de Oliveira, sociólogo cujas teses de seu livro famoso criticando a razão dualista, era baseada no marxismo e teses da Cepal
- Henrique Padrós integra(ou) conselho revista História & Luta de Classes, escreveu artigo sobre a esquerda tolerante do Uruguai (Frente Ampla)
- Dulce Pandolfi, ex-membro da ALN, diz sobre o discurso de Dilma no Senado: "Foi um discurso histórico, de uma estadista, que vai marcar a história desse país". Aparece ostensivamente em foto com Lula.
- Porto-Gonçalves que tem foco em pesquisas de conflitos agrários, movimentos sociais, causas indígenas, crítico do neoliberalismo
- Rogério Haesbart, que aparentemente não se julga parte da geografia crítica, mas critica lógica capitalista, tem posições com base em autores como Marx, Gramsci, Harvey, Foucault
- Rachel Soihet, fala sobre feminismo e violência de gênero
- Marta Abreu, fala sobre "pós escravidão"
Autores de abrangência geral/universal ou então mais neutros (com aumento em relação a prova de 2015):
- Schopenhauer, Políbio, Descartes, Heráclito, Parmênides, Shakespeare, Nietzsche, Durkheim, Hans Jonas.
Em síntese, mantém-se uma visão particular estreita, sem abrir espaço ao contraditório, sem desenvolvimento de visões diferentes, no entanto com leve amenização; deixando desta forma a prova de 2015 ainda mais catastrófica.
Minha breve análise de 2015: https://www.facebook.com/sergio.nunes.545/posts/1255497897809046.

Sergio Nunes, 40, é formado em Direito pela USP e em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Mestre em Direito Econômico. Atualmente, é professor da Academia de Polícia de São Paulo e palestrante eventual da Escola Superior de Guerra.

sábado, 22 de outubro de 2016

Limpando pichações abortistas



No dia 15 de outubro, um pequeno grupo de cidadãos de Campinas se reuniu para uma tarefa de limpeza: apagar pichações que ensinavam a fazer um aborto. Leiam o relato de Gabriel Vince, que organizou a ação. Espero que inspire outras pessoas a seguir este exemplo e agir.

Uma das coisas que mais impressionam na esquerda radical é a militância pelo aborto e sua eficiência na lavagem cerebral de seus seguidores. Conseguir que dediquem tempo, recursos e, em alguns casos, a própria vida a uma causa que desafia a própria natureza é espantoso.
Em minha cidade, Campinas, membros de coletivos feministas espalharam pelas ruas pichações que orientavam às mulheres como fazer um aborto.
Dispostos entre as receitas de como assassinar crianças no ventre, slogans evocando sororidade. Ausente nos dicionários de língua portuguesa, mas corrente entre a militância, a palavra remete a uma espécie de pacto entre mulheres baseado na empatia e no companheirismo. Empatia, pelo dicionário Aurélio, é a “tendência para sentir o que sentiria, se estivesse em situação vivida por outra pessoa”. O sentimento de empatia permite que sintamos as dores do próximo como se fossem nossas. Podemos, então, assumir atitudes para diminui-las, como faríamos se fossemos nós os sofredores. É por meio da empatia que exercemos a caridade. A caridade entre a militância feminista se expressa pelo incentivo à morte.
Sabemos dos pesares e dificuldades que podem acometer mulheres grávidas: rejeição familiar, abandono do cônjuge, falta de recursos. Diante dessas dificuldades, oferecer dinheiro, lar e apoio não são alternativas. Para acabar com os percalços por que poderiam passar as futuras mães, o conselho é simples: acabe com a vida. Um bebê morto não te acordará a noite, não precisará de fraldas, não exigirá que você desista de ir a uma festa e nem que pare seus estudos por um tempo. A solução parece simples; caso esteja sem recursos, é muito provável que as ‘manas’ te emprestem, contanto que os use para comprar medicamentos abortivos. É óbvio que ninguém vai se oferecer para pagar seu pré-natal.
Elas provavelmente não irão te informar sobre os estudos que relacionam o abortamento à depressão, observada em 60% dos casos, segundo a pesquisadora Mariana Gondim Mariutti Zeferino, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, nem alertar para o fato de que mulheres que passam por um aborto induzido têm 44% mais chances de desenvolver câncer de mama do que aquelas que nunca passaram pelo procedimento. A aliança estabelecida não tem como fim a vida das mulheres, sua saúde e bem-estar futuros. As feministas se associam em razão de uma causa, não umas pelas outras como seres humanos que sentem dores recíprocas e se oferecem ajuda. Na moralidade da revolução, oferecer a pessoas desesperadas uma solução criminosa com conseqüências inestimáveis é empatia e companheirismo.
O ato
A idéia de fazer o ato para apagar as pichações surgiu uma semana antes, enquanto passava pelo Centro da cidade. Comuniquei alguns amigos do Facebook sobre a presença de dois desenhos que ensinavam sobre o uso correto de um medicamento abortivo, um remédio tarja preta utilizado no tratamento de úlceras.
O principal componente desse medicamento é o misoprostrol, substância responsável por bloquear a ação da progesterona, hormônio produzido pelo corpo feminino que estabiliza o revestimento do útero. O enfraquecimento do tecido provoca a interrupção do suprimento de sangue para o bebê. Durante a gestação, a respiração é realizada através do sistema circulatório. É por isso que, neste caso, o bebê morre sufocado. A segunda parte consiste na remoção física da criança. Para isso, o medicamento abortivo em questão provocará contrações, cólicas e forte sangramento no útero. Esses mecanismos forçam a eliminação dos restos mortais, posto que fragmentos remanescentes podem provocar infecção e hemorragias. Algumas mulheres podem apresentar sangramento por mais de 30 dias após o abortamento.
Para esse trabalho, contei com o apoio dos amigos Luis Fernando Waib, Aldo Siqueira e Cíntia Salles, que se despuseram a ajudar com a doação de tinta, pincéis e trabalho. Sábado (15), nos encontramos na Catedral Metropolitana de Campinas e partimos para os locais determinados. A primeira pichação estava a pouco menos de 100 metros e a outra foi desenhada nas paredes de uma igreja evangélica, ao lado do prédio da prefeitura municipal da cidade.
Enquanto pintávamos as paredes, fomos interrompidos por duas mulheres, que nos agradeceram. Uma delas, inclusive, indicou a localização de outras pichações de mesma natureza. Sua atitude não contraria o esperado. Segundo o Datafolha, 87% dos brasileiros consideram a prática do aborto “moralmente errada”; entre as mulheres, esse número é ainda maior, chegando a 90% para as que possuem 41 anos ou mais. A mesma pesquisa revelou que pais de meninas adolescentes apoiariam que elas “mantivessem a gravidez em qualquer situação”; entre as mães, o número salta para 88%, enquanto 20% dos pais recomendariam que ela “tivesse o filho e se casasse com o pai da criança”. No caso das mães, esse número cai para 10%. Apenas 1% das pessoas aconselharia o aborto em qualquer situação. Os dados nos permitem concluir que, mesmo em situações consideradas socialmente indesejáveis, o brasileiro médio, tido por machista, preferiria que sua filha adolescente e solteira mantivesse a criança, porque considera o aborto imoral, rejeitando-o em proporção semelhante ao roubo e à corrupção.
O que podemos concluir?
O feminismo é um movimento restrito e político, que não defende os direitos femininos e não representa o desejo da maioria das mulheres.
Diante dessas verdades, aconselho a todos que se opõem à cultura da morte que organizem atos semelhantes. Eles têm o apoio da população e, sobretudo, das mulheres. Nós somos a maioria.

Gabriel Vince