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domingo, 28 de dezembro de 2014

Um País Partido, de Marco Antonio Villa

Marco Antonio Villa tem uma impressionante capacidade de escrever muitos livros bons em pouco tempo. Depois de Mensalão, Década Perdida e Ditadura à Brasileira, o mais recente é Um País Partido - 2014: A Eleição Mais Suja da História.

Villa começa relatando brevemente todas as vinte e nove eleições da República antes de 2014. Dessas, oito foram indiretas: a primeira, de Deodoro da Fonseca, em 1891, a de Getúlio Vargas, em 1934, e as seis da ditadura militar. Certamente, nenhuma das vinte e nove foi tão disputada como a de 2014.

A narrativa da eleição atual começa em fevereiro, com o início do ano legislativo e do ano judiciário. Dilma trocou alguns ministros por causa das eleições. Em março, foi divulgado o escândalo da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Em 30 de abril, a presidente ocupou uma rede nacional de rádio e televisão, por ocasião da véspera do Dia do Trabalho, para fazer propaganda de seu governo. Anunciou um aumento de 10% nos valores do Bolsa Família e a correção da tabela do imposto de renda. A Justiça Eleitoral não se incomodou com isso.  

Em julho, o Banco Santander divulgou a uma parcela de seus clientes uma avaliação pessimista da conjuntura econômica do Brasil relacionada à perspectiva de vitória de Dilma. Lula e o PT exigiram a demissão dos autores dessa avaliação. O Santander cedeu. Em seguida, o PT reclamou ao Tribunal Superior Eleitoral contra textos de propaganda da consultoria Empiricus, com o mesmo tipo de opiniões. Conseguiu proibir a divulgação dos anúncios.

Os escândalos não paravam. A revista Época mostrou que uma nora de Lula e a esposa do deputado cassado e condenado pelo mensalão João Paulo Cunha eram funcionárias fantasmas do SESI. A Veja divulgou que as perguntas feitas aos diretores da Petrobras na CPI, incluindo a presidente Graça Foster, foram combinadas previamente. Num movimento inédito de uso da máquina pública a serviço de interesses particulares, o Advogado Geral da União, Luís Inácio Adams, foi ao Tribunal de Contas da União fazer uma defesa da presidente da Petrobras.

Villa narra detalhadamente as entrevistas de Aécio Neves e Eduardo Campos ao Jornal Nacional, com grande pressão dos entrevistadores sobre os candidatos.

Voltando da entrevista, aconteceu a grande tragédia da eleição, o acidente fatal com o avião de Eduardo Campos. Marina Silva é escolhida a nova candidata do PSB. Em vez de Dilma ir ao Jornal Nacional, o Jornal Nacional vai até ela, entrevistando-a no Palácio do Alvorada, em condições vantajosas em relação a seus adversários. 

Com o início do horário eleitoral gratuito, Marina disparou nas pesquisas. Aproveitando-se do bom momento, a candidata do PSB fez várias exigências e entrou em polêmicas com membros históricos do partido. Vários deles abandonaram sua campanha. Descobriu-se que a situação do avião que transportava Eduardo Campos era completamente irregular. Marina foi bastante questionada por isso, especialmente em sua entrevista ao Jornal Nacional, e sempre se esquivou do assunto.

Como Villa conta cada lance da eleição em ordem cronológica, intercalando com os resultados de cada pesquisa eleitoral, estamos sempre acompanhando a evolução do processo. Vêm os rumores da delação premiada de Paulo Roberto Costa, depois as notícias, depois a delação de Alberto Youssef. Villa fala sobre cada debate do primeiro turno, com a participação preponderante dos candidatos nanicos.

A campanha do PT faz acusações violentas e infundadas contra Marina Silva. Isso dá resultado. Dilma começa a se recuperar e Marina a cair. Aécio tem uma recuperação lenta, mas contínua.

Dilma defendeu o diálogo com o Estado Islâmico, que decapita, estupra e fuzila em massa suas vítimas. Foi criticada por isso, mas a maior parte da população desconhece totalmente esse assunto. Marina, por sua vez, elogiou o impopular prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como um exemplo de nova liderança.

Acontece o primeiro turno e, contrariando as pesquisas, Aécio tem grande vantagem sobre Marina e passa para o segundo turno. Consegue os apoios do PSB, de Renata Campos, viúva de Eduardo Campos, e de Marina Silva. Nas primeiras pesquisas, está à frente de Dilma. Com os ataques contínuos do PT, cai um pouco e Dilma passa à frente.

Villa narra cada um dos debates e publica na íntegra o último, na Globo. É muito interessante ter esse documento. Não nos esqueceremos de Dilma recomendando que uma economista desempregada fizesse um curso técnico no Pronatec. Nem da fala de Aécio: “Existe uma medida que está acima de todas as outras e não depende do Congresso Nacional. Para acabarmos com a corrupção no Brasil, vamos tirar o PT do governo.”

Villa relata o resultado final da eleição e acrescenta alguns comentários. Este trecho vale o livro:
«E mais uma vez, caso único na nossa história, tivemos como protagonista de uma eleição presidencial — pela sétima vez consecutiva — Luiz Inácio Lula da Silva. Ele representa o que há de mais atrasado na política brasileira. Tem uma personalidade que oscila entre Mussum e Stálin. Atacou as elites — sem defini-las — e apoiou José Sarney, Jader Barbalho e Renan Calheiros. Falou em poder popular e transferiu bilhões de reais dos bancos públicos para empresários aventureiros. Fez de tudo para que esta eleição fosse a mais suja da nossa história. E conseguiu. 
Sob o seu domínio — mais que liderança — o PT desmoralizou as instituições. A compra de maioria na Câmara dos Deputados, que deu origem ao processo do mensalão, foi apenas o primeiro passo. Tivemos a transformação do STF em um puxadinho do Palácio do Planalto. O Executivo virou um grande balcão de negócios e passou a ter controle dos outros dois poderes. Tudo isso foi realizado às claras, sem nenhum pudor. E teve influência direta no resultado da eleição de 2014.»
Quando Villa diz que esta foi a eleição mais suja da história, não posso deixar de me lembrar de que quase todas as eleições indiretas foram completamente manipuladas. Mas acho que ele se refere ao nível de ataques infundados contra adversários e de transgressões impunes à legislação eleitoral. É curioso que ele não diga nada sobre o uso político dos Correios na eleição que, se comprovado, resultaria na cassação dos mandatos de Dilma e de Michel Temer. Também não diz nada sobre as suspeitas contra as urnas eletrônicas e os relatos de problemas com elas, no primeiro e no segundo turnos.

Independentemente disso, Um País Partido é um grande livro, para ler e guardar.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Não é a mamãe, de Guilherme Fiuza

Ler Não é a mamãe: para entender a Era Dilma, de Guilherme Fiuza, foi um prazer masoquista muito semelhante ao que senti com Década Perdida, de Marco Antonio Villa. Foi até um pouco pior, porque li depois do resultado das eleições. Cada crônica é uma tragédia, uma oportunidade perdida pelo país. Sabemos que continuamos perdendo oportunidades todos os dias. Em cada coluna, a fina ironia nos força a rir das nossas desgraças.

O livro traz textos publicados em O Globo e na revista Época sobre a candidata e a presidente Dilma, do início de 2010 à metade de 2014. Cobre toda a primeira campanha eleitoral e quase todo o primeiro mandato. Como é possível que os brasileiros tenham escolhido uma figura tão vazia para o cargo eletivo mais importante do país? Como é possível que tenham tolerado bovinamente avalanches sucessivas de escândalos de corrupção e dado à presidente índices de popularidade estrondosos?

As crônicas expressam esse espanto. Em 2010, Dilma demonstra em um Congresso do PT sua total incapacidade de falar. Sua mediocridade é tamanha que os próprios militantes têm dificuldades de defender sua candidatura, mais ainda de se empolgar com ela. Repetidos crimes eleitorais acontecem, para os quais a Justiça Eleitoral faz vista grossa ou dá punições insignificantes. A campanha se desenvolve sobre mentiras. Emblemática da picaretagem é a apropriação da imagem de Norma Bengell na Passeata dos Cem Mil.

O blog oficial de Dilma Rousseff pegou esta foto:

Tonia Carrero, Eva Wilma, Odette Lara, Norma Bengell e
Ruth Escobar na Passeata dos Cem Mil

e fez esta montagem:


Guilherme Fiuza ressalta que Dilma é apresentada como uma heroína feminista, enquanto, na verdade, é o exemplo claro e acabado de uma mulher subalterna e subserviente a um homem que se comporta como seu dono. Dilma foi escolhida candidata porque Lula assim determinou. Em nenhum momento ela expressou qualquer opinião própria. O epíteto perfeito para uma pessoa sem conteúdo, segundo o autor, é “Mãe do PAC”. A expressão criada por Lula não significa nada e Dilma também não. “Não é a mamãe!”, diria o Baby Sauro.

Dilma é eleita e, no primeiro ano de governo, sete ministros caem. Seis por corrupção. Fernando Pimentel deveria ter sido o sétimo. Porém, Dilma conseguiu segurá-lo no cargo, enquanto preparava sua candidatura ao governo de Minas Gerais. Lamentavelmente, sabemos que ele conseguiu se eleger.

Em 2012, surge o escândalo envolvendo Rosemary Noronha. Fiuza a chama de “a mulher do ano”. “Por que só Dilma é ícone feminino, se Rosemary mostrou ser um prodígio da mesma escola?” Enquanto isso, Ricardo Lewandowski e José Antonio Dias Toffoli formam a dupla Batman e Robin do PT no Supremo.

O livro inclui a coluna Lula privatizou a si mesmo, sobre o pedido do Ministério Público Federal à Polícia Federal para que fosse aberto um inquérito contra Lula, com base na denúncia de Marcos Valério de que o ex-presidente teria intermediado um repasse de sete milhões de reais de uma operadora de telefonia para o PT. Publicada em julho de 2013, motivou um processo do PT contra Fiuza, por danos morais. Recentemente, o PT propôs uma audiência de conciliação sobre o caso, mas o jornalista não aceitou.

O livro segue com os protestos de 2013, a Primavera Burra, com os rolezinhos e com a morte de Santiago Andrade. Fiuza convida a Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, a trocar as lentes dos seus óculos num shopping socialmente ocupado por um rolezinho. O “Brasil bonzinho”, que tolera arruaças de boçais mascarados, foi o responsável pelo assassinato do cinegrafista da Band. “Deputados bonzinhos, intelectuais do bem e artistas antenados gritaram alto pela liberdade dos presos em manifestações.” “Esse Brasil progressista que matou Santiago se permitiu hesitar diante da afronta ao estado de direito. Confundiu atentado com protesto e resolveu (embora jamais vá confessar isso) relativizar a violência. Assassino.”

Guilherme Fiuza previu que Dilma seria reeleita. Ainda estou tentando entender como ou por quê. Seja como for, precisamos defender a liberdade que ainda temos.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O direito de expressar indignação

Desde a abertura da Copa do Mundo, algumas pessoas vem se pronunciando contra a atitude do público. A presidente Dilma Roussef foi vaiada e xingada repetidas vezes durante o jogo Brasil x Croácia.

Em primeiro lugar, quero dizer que planejava vaiar Dilma do sofá da minha casa, quando ela aparecesse. E vaiar também pelo Twitter e pelo Facebook. Ainda guardo com carinho as camisetas que fiz em 2007, para mim e para minha filha, com a inscrição “Eu vaiei o Lula no Pan!”. Foi só pela televisão, mas foi muito bom. Fiquei frustrado porque, na hora em que o locutor anunciou Blatter e Dilma no estádio, todas as emissoras estavam passando comerciais. Depois dizem que “a mídia é golpista e direitista”. Os órgãos de imprensa todos protegem este governo até onde é possível.

As pessoas estão fartas de áulicos. Vemos, por toda parte, gente bajulando o governo. Alguns sendo bem remunerados por isso, com patrocínios do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Petrobras, Correios, BNDES, a lista não tem fim. Até a oposição bajula o governo na maior parte do tempo. De vez em quando, eles se lembram de se opor a alguma coisa. Quando é possível acontecer uma manifestação espontânea, como a da abertura da Copa, isso é uma verdadeira catarse, tanto para quem está lá como para quem gostaria de estar.

Às pessoas que reclamaram da falta de educação, pergunto: Já foram a um estádio de futebol alguma vez na vida? Já assistiram a um jogo pela televisão, que seja? Um estádio não é, de forma alguma, um lugar solene. Não é uma sessão do Congresso, não é um convento. O linguajar usado contra Dilma, rude, grosseiro, é o linguajar típico do ambiente em que ela estava. Quem decidiu trazer a Copa do Mundo para o Brasil e tentou capitalizar eleitoralmente o evento foi o governo do PT. Não deu certo; é hora de enfrentar as conseqüências.

Vi gente perguntando por que não vaiam o Alckmin. Céus! Cada vez que alguém critica o PT, é fatal vir esse coro: “Mas e o PSDB”? Gente, o PSDB resolveu trazer a Copa para o Brasil? Alguém viu o secretário estadual dos Esportes falar sobre a “aproximação da idéia da possibilidade” de os estádios ficarem prontos até dezembro de 2013? O Alckmin, por acaso, ocupou uma cadeia de TV para tentar faturar popularidade com a Copa? Foi ele quem disse que ir ao estádio de Metrô é babaquice e que as pessoas iriam até de jumento?

Pelo contrário. O governo do estado foi firme com a absurda greve do Metrô, conseguiu que tudo funcionasse normalmente no dia do jogo e a PM ainda teve de controlar um grupo de visigodos que tentou interromper a Radial Leste. O povo queria vaiar a Dilma mesmo.

Os piores são os que dizem que a manifestação das arquibancadas é ilegítima porque os torcedores são brancos, são paulistas, têm dinheiro para comprar ingressos. Para esses, paulista não tem liberdade de expressão. Branco não é cidadão. Só quem recebe Bolsa-Família deveria ter o direito de ter opinião, quiçá o de votar. Esse argumento é profundamente autoritário.

O governo federal paga, com o nosso dinheiro, uma rede de blogueiros progressistas e militantes do ambiente virtual (MAV), para inundar a Internet de xingamentos e acusações falsas contra os adversários do petismo. E a presidente vem posar de ofendida e relacionar a atitude da torcida à tortura da ditadura militar. Quem a xingou foi o povo, não os torturadores. E se Dilma foi torturada por uma ditadura, e todas as ditaduras são execráveis, isso aconteceu quando ela tentava implantar no Brasil uma ditadura muito pior.

Estamos cansados de mentiras. Estamos cansados do aparelhamento do Estado. Estamos cansados de ver e baderneiros sendo recebidos no palácio. Temos o direito de expressar nossa indignação. O grito contra Dilma e o PT estava entalado na nossa garganta. Viva a vaia!


sábado, 25 de janeiro de 2014

Década Perdida, um saudável exercício de masoquismo

Década Perdida - Dez anos de PT no poder, de Marco Antonio Villa, faz uma recapitulação dos principais acontecimentos políticos no Brasil entre 2003 e 2012. Ler esse livro foi realmente um exercício de masoquismo.

De alguns fatos, tenho uma lembrança muito vívida. De outros, já havia esquecido e o livro me fez relembrar. Em praticamente todos, uma certa alegria por reviver cada sofrimento.

Em primeiro lugar, a decepção. Não votei em Lula em 2002, mas acreditava que ele pudesse fazer um bom governo. Começaram as bobagens do Fome Zero, mas eu pensava que qualquer governo pode fazer um pouco de jogo de cena, por bons propósitos. O PT tenta algumas reformas, a oposição vota a favor e a base aliada vota contra. OK, era assim no governo Erundina em São Paulo.

O divisor de águas, para mim, foi o caso do INCA, o Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro, no segundo semestre de 2003. O órgão foi loteado politicamente e o atendimento praticamente entrou em colapso. A partir daí, passei a me considerar em oposição ao governo.

E vamos lembrando, por exemplo, da vergonha alheia sentida quando Lula visitou a Namíbia e disse que a capital do país nem parecia uma cidade africana, era bonita e limpa. Vem o escândalo de Waldomiro Diniz, uma prévia do que seria o Mensalão. A tentativa de Lula de expulsar do país o repórter americano que escreveu que o presidente abusava da bebida. A tentativa de amordaçar a imprensa, com o famigerado Conselho Federal de Jornalismo.

Chegamos a 2005 com o Mensalão ocupando toda a atenção do país. Revejo José Genoino chorando no Roda Viva, ao dizer que os empréstimos ao PT eram legítimos. Lembro de que eu ia encontrar minha esposa para uma consulta pré-natal quando ouvi a notícia de que José Dirceu tinha deixado de ser ministro. O depoimento de Duda Mendonça, quando pareceu que o governo e o PT iam acabar. E a imensa, imperdoável, incompreensível pusilanimidade da oposição, que resolveu deixar para lá e esperar a eleição de 2006.

José Serra tinha nessa ocasião muito mais votos que Lula. Mas o esporte predileto da oposição sempre foi se autodestruir. Alckmin é o candidato. Acontece o escândalo dos aloprados. A oposição não sabe o que fazer e Alckmin aparece com aquela roupa ridícula, cheia de logotipos de estatais. Lula é reeleito.

Revivemos os escândalos de Renan Calheiros e José Sarney, Marta Suplicy, Ministra do Turismo, dizendo "Relaxa e goza" para os turistas que enfrentam dificuldades no Brasil. O caos aéreo de 2007 e o trágico acidente da TAM, em 17 de julho. Um amigo meu não pegou aquele voo porque se atrasou. Um funcionário da empresa em que trabalho esteve no prédio da TAM pouco antes de o avião colidir com ele. Um dos atos mais covardes e odiosos foi a repatriação forçada dos boxeadores cubanos Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que tentaram desertar da delegação dos Jogos Panamericanos.

Temos então o surgimento de Dilma Roussef como candidata, o poste de Lula, a "mãe do PAC", seja lá o que isso signifique. E mais escândalos envolvendo Erenice Guerra. Mais brigas internas da oposição. Dilma, que mal sabe falar, é eleita com alguma facilidade. Temos aquele período em que caía um ministro por mês, quase todos por corrupção. E a imprensa e a oposição poupando o governo de si mesmo, evitando criticar os problemas com medo da popularidade da soberana.

Em 2012, temos pelo menos uma boa notícia, mesmo que incompleta, o julgamento do Mensalão.

Na conclusão, Marco Antonio Villa escreve:
"Não será tarefa fácil retirar o PT do poder. Foi criado um sólido bloco de sustentação que — enquanto a economia permitir — satisfaz o topo e a base da pirâmide. Na base, com os programas assistenciais que petrificam a miséria, mas garantem apoio político e algum tipo de satisfação econômica aos que vivem na pobreza absoluta. No topo, atendendo ao grande capital, com uma política de cofres abertos, em que tudo pode, bastando ser amigo do rei."

Lembrar cada um desses fatos é necessário. Precisamos trabalhar para que, em 2023, Marco Antonio Villa não tenha de escrever "Outra Década Perdida".