sábado, 28 de março de 2015

Pedagogia do Oprimido, de Paulo Freire

No final de 2014, conversei sobre Paulo Freire com uma pessoa de quem gosto muito e que tem opiniões opostas às minhas. Ela perguntou se eu tinha lido algum dos livros dele. Só A Importância do Ato de Ler, mas há tanto tempo que não me lembro de quase nada, respondi. Nunca li Pedagogia do Oprimido, confessei. Você não pode criticar o que não conhece, acusou ela. Prometi que leria Pedagogia do Oprimido e escreveria uma resenha. Aqui está.

Não é uma leitura fácil. Embora o livro não seja extenso, com pouco mais de 100 páginas, levei dois meses para terminar. Achei a linguagem confusa, com termos inventados ou palavras às quais o autor atribui um sentido peculiar, sem contudo definir claramente esse sentido. Muitas vezes, não há um encadeamento lógico entre um parágrafo e o seguinte, entre uma frase e a próxima, entre uma idéia e outra. Nesse aspecto, lembra muito o estilo do Alcorão. Paulo Freire tem um cacoete de separar os prefixos dos radicais das palavras (co-laboração, ad-mirar, re-criar), como se isso significasse alguma coisa. Há muitas passagens com sentido obscuro (vejam algumas abaixo), muitas repetições, citações de supostas autoridades em educação (como Mao, Lênin, Che, Fidel e Frantz Fanon) e menções freqüentes a que se vai voltar ao assunto depois ou a que já se tratou dele antes.

Logo na introdução, somos brindados com esta afirmação: “Se a sectarização, como afirmamos, é o próprio do reacionário, a radicalização é o próprio do revolucionário. Dai que a pedagogia do oprimido, que implica numa tarefa radical cujas linhas introdutórias pretendemos apresentar neste ensaio e a própria leitura deste texto não possam ser realizadas por sectários.” Minha leitura deste trecho é: “Só quem já concorda comigo pode ler o que escrevo.”

Vou apresentar a seguir o que entendi do livro, procurando ao máximo omitir minhas opiniões, que guardarei para o final da resenha.

Paulo Freire descreve dois tipos de educação, uma característica de uma sociedade opressora, outra característica de uma sociedade livre, ou que luta para se libertar. A educação da sociedade opressora é chamada de “bancária”, sempre entre aspas, porque ela deposita conhecimentos nos alunos. Ou seja, ela reduz o aluno a um objeto passivo do processo educacional, no qual são jogadas informações sobre Português, Matemática, História, Geografia, Inglês, Física, Química, Biologia, Filosofia. Já a educação libertadora é chamada de dialógica, porque se baseia no diálogo entre professores e alunos (educadores e educandos, na linguagem do livro). É um processo do qual todos são sujeitos ativos e cuja finalidade é ampliar a consciência social de todos, especialmente dos alunos, para que se viabilize a revolução que acabará com a opressão. O livro não detalha o que a educação libertadora fará depois dessa libertação. Imaginamos que mantenha os educandos conscientes e imunes a movimentos reacionários e contra-revolucionários.

A educação dialógica se baseia no diálogo e o diálogo começa com a busca do conteúdo programático. Na parte do livro em que há mais orientações práticas, Paulo Freire recomenda que seja formado um grupo de educadores pesquisadores que observará os educandos e conversará com eles, em situações diversas, para conhecer sua realidade e identificar o que ele chama de temas geradores, que possibilitarão a tomada de consciência dos indivíduos. Haverá reuniões com a comunidade, identificação de voluntários, conversas e visitas para compreender a realidade, observações e anotações. Os investigadores farão um diagnóstico da situação. Então discutirão esse diagnóstico com membros da comunidade para avaliar o grau de consciência deles. Constatando que esse nível é baixo, vão apresentar as situações identificadas aos alunos, para discussão e reflexão, com o objetivo de despertar sua consciência para sua situação de opressão. Se o pensamento do povo é mágico (religioso) ou ingênuo (acredita nos valores de direita), isso será superado pelo processo, conforme o povo pensar sobre a maneira que pensa, e conforme agir para mudar sua situação de opressão.

Paulo Freire enfatiza que o revolucionário não pode manipular os educandos. Todo o processo tem de ser construído baseado no diálogo e no respeito entre os líderes e o povo. Porém, os líderes devem ter a prudência de não confiar no povo, porque as pessoas oprimidas têm a opressão inculcada no seu ser. Como exemplo de um líder que jamais permitiu que seu povo fosse manipulado, Paulo Freire apresenta Fidel Castro.

A palavra é o resultado da soma de ação e reflexão. Se nos baseamos apenas na reflexão, temos um “verbalismo” estéril. Se nos baseamos apenas na ação, temos um “ativismo” inepto. Os líderes revolucionários e os educadores devem compreender que a ação e a reflexão caminham juntas de maneira indissociável, ou não se atingem os objetivos da educação e da revolução.

As características da opressão são a conquista dos mais fracos, a criação de divisões artificiais entre os oprimidos para enfraquecê-los, a manipulação das massas e a invasão cultural. Os opressores se impõem em primeiro lugar pela força. Depois, jogam os oprimidos uns contra os outros, para mantê-los subjugados. As pessoas são manipuladas para acreditarem em falsos valores que lhes são prejudiciais, embora elas não percebam isso. Sua cultura de raiz é esquecida e trocada por símbolos vazios importados de fora, num processo que esmaga a identidade do povo.

As características da libertação são a colaboração (que Paulo Freire grafa co-laboração), a união, a organização e a síntese cultural. A colaboração está contida em tudo o que foi dito sobre educação dialógica, que é feita em conjunto pelos educadores e educandos. A união entre os oprimidos é fundamental para que tenham força para resistir contra o opressor. No trecho em que explica a organização, é citado o médico Dr. Orlando Aguirre, diretor da Faculdade de Medicina de uma universidade cubana, que afirmou que a revolução implica em três P: palavra, povo e pólvora. Disse o Dr. Aguirre: “A explosão da pólvora aclara a visualização que tem o povo de sua situação concreta, em busca, na ação, de sua libertação.” E Paulo Freire complementa: “O fato de não ter a liderança o direito de impor arbitrariamente sua palavra não significa dever assumir uma posição liberalista, que levaria as massas à licenciosidade.” Ele afirma que não existe liberdade sem autoridade. Sobre a síntese cultural, diz que a visão de mundo do povo precisa ser valorizada.

Agora, o que penso sobre o texto. O próprio Paulo Freire deixa claro em vários momentos, que seu livro não é sobre educação. Ensinar, transmitir conhecimentos, é uma preocupação da educação “bancária” opressora. Não é essa a função de um educador libertador. Não, sua função é criar os meios para uma revolução libertadora, como foram libertadoras as revoluções promovidas pelos educadores citados: Mao, Lênin, Fidel. Ou seja, a única preocupação do livro é com os meios para viabilizar uma revolução marxista. Se você, meu leitor, é professor e acha que essa é a sua função, talvez encontre conhecimentos úteis no livro. Caso contrário, não há mais nada nele.

Fiz uma coletânea de palavras utilizadas por Paulo Freire que poderiam ter saído de um discurso de Odorico Paraguaçu: “involucra”, em lugar de envolve, “implicitados”, em lugar de implícitos, “gregarizadas”, deve ser um derivado de gregário, “unidade epocal”, em lugar de unidade de tempo, “fatalistamente”, por fatalisticamente, “insertado”, por inserido. Dois erros divertidos: chamar Régis Debray de Régis Debret e achar que o nome do padre Marie-Dominique Chenu OP (onde OP significa Ordo Praedicatorum, Ordem dos Pregadores, sigla que designa a Ordem dos Dominicanos) é O. P. Chenu. É sintomático que alguém com tantas dificuldades com a Língua Portuguesa seja o Patrono da Educação Brasileira, considerado nossa maior autoridade em alfabetização.

Desafio os bravos leitores a encontrar o sentido dos trechos a seguir. A melhor interpretação ganhará um pão com mortadela. Os grifos são de Paulo Freire.

1) «Na verdade, não há eu que se constitua sem um não-eu. Por sua vez, o não-eu constituinte do eu se constitui na constituição do eu constituído. Desta forma, o mundo constituinte da consciência se torna mundo da consciência, um percebido objetivo seu, ao qual se intenciona. Daí, a afirmação de Sartre, anteriormente citada: “consciência e mundo se dão ao mesmo tempo”.»

2) «O ponto de partida deste movimento está nos homens mesmos. Mas, como não há homens sem mundo, sem realidade, o movimento parte das relações homens-mundo. Dai que este ponto de partida esteja sempre nos homens no seu aqui e no seu agora que constituem a situação em que se encontram ora imersos, ora emersos, ora insertados.»

3) «Sem ele [o diálogo], não há comunicação e sem esta não há verdadeira educação. A que, operando a superação da contradição educador-educandos, se instaura como situação gnosiológica, em que os sujeitos incidem seu ato cognoscente sobre o objeto cognoscível que os mediatiza.»

4) «Esta é a razão pela qual o animal não animaliza seu contorno para animalizar-se, nem tampouco se desanimaliza.»

5) «Somente na medida em que os produtos que resultam da atividade do ser “não pertençam a seus corpos físicos”, ainda que recebam o seu selo, darão surgimento à dimensão significativa do contexto que, assim, se faz mundo.»

6) «Porque, ao contrário do animal, os homens podem tridimensionalizar o tempo (passado-presente-futuro) que, contudo, não são departamentos estanques.» Alguém pode me dizer como é possível tridimensionalizar o tempo?

7) «Uma unidade epocal se caracteriza pelo conjunto de idéias, de concepções, esperanças, dúvidas, valores, desafios, em interação dialética com seus contrários, buscando plenitude. A representação concreta de muitas destas idéias, destes valores, destas concepções e esperanças, como também os obstáculos ao ser mais dos homens, constituem os temas da época.»

Outra característica curiosa são as citações em idiomas diversos. Há citações de Hegel e Karl Jaspers em inglês, de Marx e Erich Fromm em espanhol e de Lukács em francês. Todos esses autores escreveram em alemão. Frantz Fanon, que escreveu em francês, é citado em espanhol. Albert Memmi, que também escreveu em francês, é citado em inglês, e se menciona que há uma edição brasileira de seu livro. Mao é citado em francês. Porque todas essas citações não foram simplesmente traduzidas para o português? E por que Paulo Freire gosta tanto de ditadores, torturadores e assassinos?

Ele afirma que vender seu trabalho é sempre o mesmo que escravizar-se. Porém, desejar não ser mais empregado e tornar-se patrão é escravizar a um outro, tornar-se opressor. Qualquer tipo de contratação de um indivíduo por outro é maligna, é opressão, é escravidão. Só teremos liberdade quando a nenhum indivíduo for permitido contratar ou ser contratado por outro indivíduo. Faz sentido para vocês?

Paulo Freire afirma que os oprimidos devem ser reconhecidos como Pedro, Antônio, Josefa, mas os chama o tempo todo de “massas”. Diz que valoriza a visão de mundo do povo, enquanto não perde uma oportunidade de desdenhar das crenças religiosas desse mesmo povo, chamando-as de mágicas, sincréticas ou mistificações. E ele se dizia católico. 

Como a opressão é uma violência, qualquer violência cometida pelos oprimidos contra os opressores é sempre uma reação justificada. É um raciocínio assustador. Nas palavras dele: “Quem inaugura a tirania não são os tiranizados, mas os tiranos. Quem inaugura o ódio não são os odiados, mas os que primeiro odiaram. Quem inaugura a negação dos homens não são os que tiveram a sua humanidade negada, mas as que a negaram, negando também a sua.” Paulo Freire considera justificados a tirania como resposta a uma tirania anterior e o ódio como resposta a um ódio anterior. E nega a humanidade de quem ele resolver chamar de opressores.

Mais um trecho escabroso: «Mas, o que ocorre, ainda quando a superação da contradição se faça em termos autênticos, com a instalação de uma nova situação concreta, de uma nova realidade inaugurada pelos oprimidos que se libertam, é que os opressores de ontem não se reconheçam em libertação. Pelo contrário, vão sentir-se como se realmente estivessem sendo oprimidos. É que, para eles, “formados” na experiência de opressores, tudo o que não seja o seu direito antigo de oprimir, significa opressão a eles. Vão sentir-se, agora, na nova situação, como oprimidos porque, se antes podiam comer, vestir, calçar, educar-se, passear, ouvir Beethoven, enquanto milhões não comiam, não calçavam, não vestiam, não estudavam nem tampouco passeavam, quanto mais podiam ouvir Beethoven, qualquer restrição a tudo isto, em nome do direito de todos, lhes parece uma profunda violência a seu direito de pessoa. Direito de pessoa que, na situação anterior, não respeitavam nos milhões de pessoas que sofriam e morriam de fome, de dor, de tristeza, de desesperança.»

O fato é que ninguém pode proibir ninguém de comer, vestir, calçar, educar-se, passear ou ouvir Beethoven. E ninguém pode exigir comer, vestir, calçar, educar-se, passear ou ouvir Beethoven às custas dos outros.

Uma última citação abjeta: “Mesmo que haja – e explicavelmente – por parte dos oprimidos, que sempre estiveram submetidos a um regime de espoliação, na luta revolucionária, uma dimensão revanchista, isto não significa que a revolução deva esgotar-se nela.” A revolução não deve se esgotar no revanchismo, mas o revanchismo é parte natural dela. Como alguém que escreveu essas monstruosidades nunca foi processado por incitação à violência e apologia do crime? Como alguém com um pensamento tão anti-social pode ser sequer ouvido, quanto mais cultuado como Patrono da Educação Brasileira?

Chega de doutrinação marxista! Fora Paulo Freire!

57 comentários:

  1. Parabéns pelo excelente texto, Marcelo!

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  2. Muito bom o texto. Perguntei a vários professores: quem era o oprimido de Paulo Freire? Seriam crianças? Até hoje, ninguém respondeu. A maioria dos que o admiram, só ouviram, leram algumas frases isoladas dele. Fora Paulo Freire. Pra contribuir, aqui está um vídeo de 8 minutos, do Filósofo Armindo Moreira, que leu todos os livros dele. https://www.youtube.com/watch?v=baf7c_vbShE

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    1. Gostei muito do vídeo com o Professor Armindo Moreira, Edésio. Vi que há vários outros. Obrigado por compartilhar.

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    2. Obrigada por compartilhar! Boa sorte!

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  3. Estou horrorizada com o que li pq é a verdade nua e crua do que temos hoje no ensino Brasileiro! Não sou estudiosa do assunto porém vejo o que acontece em sala de aula já que acompanho a vida escolar dos meus filhos. Sempre que questiono a nova prática de alfabetização não obtenho respostas objetiva nenhuma que me convença que o sistema funciona. Porém ao compeender os pensamentos do "patrono" do nosso ensino minhas ideias clarearam! Obrigada pela ajuda só conhecia frases isoladas desse infeliz..... Agora vejo realmente que estamos em um mato sem cachorros o que fazer pra consegui por um pontos final nessa bagunça que se transformou o ensino no Brasil??

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  4. Caro Marcelo,

    Li sua resenha e discordo em vários pontos de dela. Mas gostaria que depois que você lesse a minha, discorresse sobre ela a fim de que possamos entender ao máximo a compressão um do outro.

    Assim como acima estão expostas suas opiniões, abaixo estão as minhas e creio que de ambas poderemos extrair visões bem diferentes da mesma obra (o que no mínimo comprova que, quando se lê um texto com julgamento já fundamentado, o que se tende a extrair dele são as informações com as quais se tem mais empatia. Isso é válido para mim também, claramente):

    Discordo de que Paulo Freire apresenta pouca familiaridade com o Português. Esse recurso linguístico de grafar os prefixos separadamente, dando destaque a eles, tem função de reafirmar sua propriedade na palavra, de forma que fique bastante claro: por exemplo em "co-laboração" a intenção é especificar ao máximo que o trabalho será realizado em conjunto (de "co - junto, ao mesmo tempo" e "laborar - trabalhar"). É claro que esse já é o sentido original da palavra, mas esse recurso confere um peso especial ao prefixo, de forma a acentuar essa significação. O mesmo é válido para as demais palavras citadas. Esse recurso não foi utilizado apenas por ele. Também encontramos propostas semelhantes por Graciliano Ramos e, como você próprio citou, de forma cômica por Dias Gomes no personagem Odorico Paraguaçu.

    Suponho que Paulo Freire tenha feito as citações nessas línguas (em inglês, francês e espanhol) pois os textos que ele leu estavam nesses idiomas (e creio que eram esses que ele dominava). Esses também eram (e ainda são) os idiomas a que a população brasileira tem mais acesso e conhecimento o que torna seu entendimento mais fácil. Além disso, apesar de não serem as citações originais, são traduções mais próximas dos originais, visto que raramente os textos são traduzidos diretamente para o português, passando geralmente primeiro para um outro idioma e só depois para o nosso, o que torna a versão traduzida cada vez mais distante de seu original (claro que pode ser por outros motivos também, nesse caso estou puramente divagando).

    É verdade, Paulo Freire usa como exemplos líderes que não deveria. Os modelos de Mao, Che e Stalin não deveriam ser tomados como moldes por ninguém. Mas lembre-se que Mao se consolidou durante e após a escrita de A Pedagogia do Oprimido (1968) e que Stalin implementou a política da Cortina de Ferro na URSS, o que dificultava o vazamento de informações de como as coisas procediam lá, portanto é bem provável que Paulo Freire não tivesse dimensão correta do que esses líderes estavam fazendo de fato em seus países e portanto, seu uso em seus exemplos se deviam apenas às suas ideologias naquela época.

    De fato, os lideres socialistas não são exemplos de liberdade e democracia para pensadores críticos contemporâneos, mas não temos bons exemplos capitalistas também. Se você pensar num ponto de vista prático, Hitler era capitalista (e abusava de mão-de-obra escrava judia) e a Europa em peso viveu às custas de mão-de-obra escrava africana durante muito tempo, além da espoliação das colônias e massacre dos nativos, e os EUA invadiram e dizimaram o Vietnam apenas com a motivação de não permitir que o comunismo se difundisse por aquela área (tudo isso são as faces mais danosas do capitalismo, mas que são sempre vistas sob a ótica de regimes individuais, julgamento totalmente diferente do que os regimes comunistas sofrem. Mas que fique bem claro que eu não os estou defendendo: Mao e Stalin são genocidas e Che se aproxima bastante disso também).

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    1. O fato de Paulo Freire chamar a população frequentemente de "massa" não tem intuito de desqualificação ou diminuição dessa população. Não teria intuito diferente de chamar de "população", embora o termo anterior fosse bastante empregado naquele tempo por pensadores com o alinhamento ideológico dele. E ele diz que se deve chamar o indivíduo por seu nome exatamente para individualizá-lo (mas seria inviável escrever o nome de todos os cidadãos em seu livro).

      Paulo Freire não apenas nega a humanidade do tiranizador, ele considera o ciclo "tiranizante" desumanizador tanto do tirano quanto do tiranizado, visto que falta dignidade ao tiranizado (sendo dignidade uma necessidade básica do ser humano) assim como falta empatia ao tirano por espoliar "as massas" (e empatia é considerada uma característica básica do ser humano), visto que nem um, nem outro as possuem, falta a ambos humanidade. E ele, ao menos na parte que você cita, não está chamando a massa às armas, está justificando que ela sinta a vontade de se vingar de quem continuamente a explorou. Não é muito diferente de alguém que foi lesado (assaltado, por exemplo) e sinta vontade de "descontar" no ladrão a violência que sofreu (embora não se justifique que o assaltado assassine o bandido).

      Mais uma vez, o exemplo do escritor foi ao meu ver mal interpretado: ele não está querendo dizer que lhe é proibido "comer, vestir, calçar, educar-se, passear ou ouvir Beethoven". O que ele quer dizer é que o oprimido, ao deixar de sê-lo, sentirá vontade de fazer tudo aquilo que o opressor fazia (visto que esse foi o meio em que o oprimido foi criado e é o modelo que ele tem de comportamento e status), ainda que isso mantenha a opressão naqueles que coexistem com ele. Isto prova que "Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor" (essa citação é do próprio Paulo).

      Finalmente, mais uma vez o que Paulo faz não é um chamado às armas, o que ele diz é que ainda que o oprimido se vingue do opressor (se o oprimido de fato fizesse isso... e nesse momento é possível que ele peque por não fazer juízo de valor dessa ação, embora correntes ideológicas considerem essa ação válida), que as ações do oprimido não se finalizem nisso, mas que ele continue evoluindo DE FATO para a libertação (já que a vingança não o libertará, posto que o oprimido que não foi educado e libertado ocupará o posto de novo opressor, mantendo o ciclo de forma infinta).

      Concluo que realmente seria possível que Paulo Freire fosse uma fraude por incitar a violência sob a máscara de uma nova pedagogia, mas não é isso o que de fato percebo em seus trabalhos. Mais do que isso, Paulo Freire é o pedagogo brasileiro (e possivelmente pensador brasileiro) que mais recebeu honrarias no exterior e muitas universidades tem salas de leitura e de aula com seu nome, em sua homenagem (um exemplo é a Universidade de Cambridge, que figura como a quarta melhor do mundo, e de onde saiu pensadores como Darwin, Hawking, Francis Bacon, Karl Popper, tem uma sala em homenagem a Paulo Freire). Ele também recebeu honrarias em Oxford e Harvard (consideradas atualmente quinta e primeira do mundo, respectivamente).

      Saudações
      RPL.

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    2. Caro RPL,

      Obrigado pelos comentários. É claro que discordamos em vários pontos. Vou procurar separar o que é importante do que não é.

      Podemos ler um texto com julgamento já fundamentado e mudarmos de idéia, sendo convencidos por argumentos melhores que os nossos. Para mim, é sempre um imenso prazer quando isso acontece comigo. E somos todos indivíduos, somos todos diferentes. A diferença de interpretações que podemos ter é um valor sem tamanho.

      A gramática e o estilo de Paulo Freire não são importantes. Não sei se é correto dizer que Paulo Freire tenha pouca familiaridade com nosso idioma. Não tenho dúvida de que ele mistura espanhol com português em Pedagogia do Oprimido. É o segundo livro dele que leio e não me lembro bem de A Importância do Ato de Ler, que li há aproximadamente 15 anos. O meu ponto é que o livro é assustadoramente mal escrito. Acho que separar os prefixos dos radicais é pedante. Citar em outros idiomas também é. Até pode fazer sentido, se for para não perder alguma sutileza do idioma original, mas prefiro que o autor também traduza o que está citando, para benefício de seus leitores que não são obrigados a conhecer outros idiomas. Mas citar em francês o que alguém escreveu em alemão ou chinês é, para mim, merecer ser ridicularizado. Mas a confusão de idéias, as frases sem sentido, as longas explicações do óbvio me incomodariam mesmo que eu concordasse com o conteúdo.

      Em 1968, a Revolução Cultural de Mao estava a pleno vapor, depois da desgraça que foi o Grande Salto Adiante. Nem coloquei na resenha, mas Paulo Freire defende com insistência a necessidade de uma revolução cultural na seqüência da revolução política. Exatamente como aconteceu na China, massacrando professores, intelectuais e “toda aquela gente que usa óculos”. Os males do socialismo são conhecidos de quem os quis conhecer desde a Revolução Russa. A defesa contumaz de ditadores nos mostra claramente como Paulo Freire se posiciona politicamente. Suas posições são indefensáveis, odiosas. E o livro é só sobre política, não sobre educação.

      Hitler não era capitalista. Capitalista era Churchill. Você encontra argumentos sobre o anticapitalismo dos nazistas até na Wikipedia: Comparação entre nazismo e stalinismo e Similaridades econômicas entre o nazismo e o socialismo. Leia o Programa de 25 pontos do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães e procure algum capitalismo nele. Você não vai achar. Também recomendo estes dois artigos: Por que o nazismo era socialismo e por que o socialismo é totalitário e Socialismo e Nazismo.

      Escravidão e capitalismo também são coisas opostas. Capitalismo é liberdade econômica. Baseia-se em acordos realizados por pessoas livres. Nada é mais contrário ao capitalismo que a escravidão.

      Paulo Freire, lá pelas tantas, diz que os oprimidos devem ser reconhecidos como Pedro, Antônio, Josefa, parecendo defender algum respeito ao indivíduo. Mas o restante do texto contradiz exatamente essa idéia. Não gosto da palavra “massa”, mas Paulo Freire tem o direito de usá-la. O fato é que ele não vê indivíduos, apenas categorias.

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    4. Acredito fundamentalmente no respeito aos direitos individuais. O pior dos criminosos tem o direito a um julgamento justo, com um representante legal, diante de um tribunal imparcial e não pode ser submetido a tortura ou a maus tratos. O pior dos criminosos não deixou de ser um ser humano e, por isso, tem esses direitos. Se a alguém falta humanidade, esses direitos deixam de valer, ou perdi alguma coisa? Paulo Freire não está chamando a “massa” às armas, está justificando os massacres de Mao, Stalin, Trotsky, Fidel.

      O trecho sobre Beethoven não foi mal interpretado. «[Os opressores de ontem] vão sentir-se, agora, na nova situação, como oprimidos porque, se antes podiam comer, vestir, calçar, educar-se, passear, ouvir Beethoven, enquanto milhões não comiam, não calçavam, não vestiam, não estudavam nem tampouco passeavam, quanto mais podiam ouvir Beethoven, qualquer restrição a tudo isto, em nome do direito de todos, lhes parece uma profunda violência a seu direito de pessoa.» O que é uma restrição a poder comer, vestir, calçar, educar-se, passear, ouvir Beethoven? É o que os revolucionários russos fizeram com os kulaks. É o que cada revolução comunista fez com todos os que chamou de “burgueses”.

      Como disse, não li os outros trabalhos de Paulo Freire. Ler seu livro mais conhecido, que unicamente incita a violência sob a máscara de uma nova pedagogia, me dá uma grande vontade de não gastar tempo com nenhum outro. Várias pessoas me falaram sobre o reconhecimento internacional de Paulo Freire. Se Cambridge tem uma sala em homenagem a Paulo Freire, isso não é um mérito para o brasileiro, mas um demérito para Cambridge. As honrarias que ele recebeu de Oxford e Harvard também pesam contra essas instituições.

      A coisa mais importante que quero dizer a você é que, se costumamos usar a palavra “democracia” para expressar “liberdade política”, a palavra para expressar “liberdade econômica” é “capitalismo”. No capitalismo, não há opressores ou oprimidos. O capitalismo é o verdadeiro sistema sem classes sociais. Existem pessoas com diferentes níveis de renda. Mas todos pertencem à mesma classe, são cidadãos. Todas as trocas são voluntárias. Não posso obrigar você a comprar meu produto: você compra se quiser, se não quiser, pode comprar do meu concorrente. Não posso obrigar você a trabalhar para mim: você só trabalha se aceitar as condições que eu proponho. Se não, pode trabalhar em outro lugar, ou por conta própria. Não posso cobrar caro demais pelo que vendo. Meu concorrente cobrará menos e ficará com todos os meus clientes. Paulo Freire jamais entendeu isso.

      Abraços,
      Marcelo

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    5. Parabéns pela discussão. Muito bom ver respeito mútuo e troca de ponto de vistas diferentes. Faz falta tal postura na internet. Hoje em dia as opiniões são lançadas como torpedos: aceite ou morra.

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    6. Só mais um detalhe, Marcelo, o capitalismo é o sistema que mais entrega bem estar social as populações do mundo , fiz parte de um projeto de extensão universitária de alfabetização de jovens e adultos que utilizava o método de Paulo Freire ( se é que pode se chamar de método aquilo) e o que posso dizer de bom sobre esse projeto, é que os textos escolhidos tinham a ver com os problemas locais da comunidade ( prevenção de doenças, meio ambiente etc..) mas o aprendizado do português era nulo, pois partia do texto para o parágrafo , daí para a frase, palavra e por fim a letra, quem nunca esteve numa escola ou largou- a a muito tempo ficava perdido a aula inteira, na prática o método é uma merda!

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    7. Só mais um detalhe, Marcelo, o capitalismo é o sistema que mais entrega bem estar social as populações do mundo , fiz parte de um projeto de extensão universitária de alfabetização de jovens e adultos que utilizava o método de Paulo Freire ( se é que pode se chamar de método aquilo) e o que posso dizer de bom sobre esse projeto, é que os textos escolhidos tinham a ver com os problemas locais da comunidade ( prevenção de doenças, meio ambiente etc..) mas o aprendizado do português era nulo, pois partia do texto para o parágrafo , daí para a frase, palavra e por fim a letra, quem nunca esteve numa escola ou largou- a a muito tempo ficava perdido a aula inteira, na prática o método é uma merda!

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    8. Sempre tive a opinião de qur pAULO fRAUDE é uma porcaria, assim como o seu legado, q o estrago que este fez na educação do nosso país é impossível de reverter!

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    9. Kruschev Denunciou os crimes de Stalin para o mundo em 1956 !

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  6. Belo trabalho Marcelo, tenho usado suas idéias, muito obrigado. Parabéns pela excelência de seu trabalho!

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  7. Marcelo, cheguei a você através do Facebook de Alexandre Borges.

    Você descobriu a origem da fala truncada de Dilma Roussef, ela se inspira constantemente em Paulo Freire. Preste atenção, releia os trechos que selecionou e veja como eles ficam bem na boa da Dilma.

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    1. bah, lucia, falou por mim...pensei exatamente isso..na parece que ela foi alfabetizada or ele?

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    2. Também vi tamanha semelhança entre os textos do patrono da educação com a senhora ex presidente.

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  8. Texto excelente. Ganho esperanças quando me deparo com tanta lucidez.
    Quanto à crítica, quando li que Hitler foi capitalista, me ocorreu que o método marxista inclui deturpar a história e manobra-la de forma que seja completamente alterada. A falta de cultura e informação das "massas" faz com que as mentiras se tornem realidade.

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  9. Texto excelente. Ganho esperanças quando me deparo com tanta lucidez.
    Quanto à crítica, quando li que Hitler foi capitalista, me ocorreu que o método marxista inclui deturpar a história e manobra-la de forma que seja completamente alterada. A falta de cultura e informação das "massas" faz com que as mentiras se tornem realidade.

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  10. Excelente resenha, Marcelo. Grato pelo seu trabalho.

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  11. Pelos trechos citados pode-se perceber que Paulo Freire tinha uma dificuldade com pronomes demonstrativos. Por exemplo, no trecho iniciado por "Mas o que ocorre...", o pronome "isto" deveria ser "isso" (é uma referência ao que já foi afirmado anteriormente).
    É também um trecho mal estruturado, por exemplo com uma vírgula extra em "...oprimir, significa..." e faltando em "...oprimidos porque...".

    Alguém poderia dizer que se tratam de erros menores, mas - "pera lá" - estamos falando da obra magna do patrono da educação brasileira...

    O que me leva a outro ponto: em Freire, o sucesso do método não é definido pela competência na língua (ou no aprendizado de uma maneira geral), mas pela formação de "cidadãos conscientes", sendo "consciente" definido de forma excepcionalmente estreita: adesão a um conjunto de princípios rígido e limitado.
    Vamos falar com franqueza: adesão a algumas das categorias do pensamento marxista.
    Ora, nessas condições "competência na língua" não é prioridade, e é na verdade uma perda de tempo.
    Isso não é julgamento, é uma descrição técnica das deficiências do método.
    De maneira que: quando alguém vir um aluno com um texto cheio de erros crassos, mal articulado e mal apresentado - pode ficar certo que é o "efeito Paulo Freire" em ação.

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    1. Vc chegou até aqui pelo post do Alexandre Borges também?

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    2. Foi o contrário cheguei ao Alexandre Borges pelo seu comentário, obrigado.

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  12. Lixo, Nem comento, me mostre onde na reflexão de Paulo Freire vai dizer que era a favor dá violência apoia o crime?
    Eu não sei qual é o pior alienado se é os oprimidos pelo uma educação totalmente dertupante ou autor desse livro.
    Meu país Brasileiro sua educação é um estado de calamidade e culpa o Freire. Triste, triste!!!

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  13. Logo Freire que lutou pela humanização, como as pessoas podem postar uma reflexão dessas sem embasamento algum.
    e que gostam de deturpar o pensamento tão claro e objetivo.
    Lixo de reflexão!! LIxo!!

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  14. Max era humanista e totalmente contra a classes dominantes de poder!!!

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    1. Karl Marx foi sustentado pela esposa por 16 anos enquanto escrevia "O Capital" até que ela ficasse pobre. Só teve um único emprego fixo em 64 anos de vida, e foi correspondente do jornal “New York Herald” por breve período, o que não resultava em quantias suficientes para manter a família.

      Embora estudioso de economia, era cronicamente irresponsável nas finanças pessoais e sempre passou necessidades. Em 1852, quando morava em Londres sem ter mais para onde correr, Marx tentou penhorar alguns talheres de prata com o brasão da família da esposa quando o dono da loja, desconfiado daquela criatura de cabelos desgrenhados e mal vestida, chamou a polícia.

      Viu 4 de seus 7 filhos morrerem ainda bebês pela vida insalubre e miserável que sua vagabundice impôs à família, viu duas de suas três filhas sobreviventes se suicidarem, traiu a mulher que o sustentou por anos a fio com a melhor amiga dela, e ainda deu o bebê nascido desta relação para o amigo rico Engels criar. Morreu pobre, intelectualmente debilitado e com um abscesso no pulmão. Somente 11 pessoas incluindo Engels foram ao seu enterro.
      Esse é o ídolo da esquerda. O "pai do socialismo". Sujeito ordinário, preguiçoso e imoral, que não conseguiu sequer colocar a própria vida em ordem. É este pilantra, em muitos aspectos similar ao Lulla, o criador do sistema que tem a pretensão de trazer a solução para o mundo. Pois é. Cada um tem a referência que merece.

      E o Paul Johnson cita no livro “The Intelectuals” que esse energúmeno, além de tudo, não tomava banho e não fazia a barba por muito tempo. Seus seguidores também deixam a barba crescer sem saber por que.

      Mas, suas ideias errôneas, ainda estão por aí, a estrepar com o mundo, a azarar com a sociedade. Pior de tudo é que estamos sendo vítimas desses sórdidos caolhos, gigolôs da miséria, parasitas e aproveitadores.

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  16. Vergonha deste texto! Um palhaço cheio de ódio, com argumentos descabidos e débeis que passou longe de conseguir arranhar a grandeza e profundidade da Obra de Paulo Freire. Fascistas realmente não conseguem se enxergar!

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    1. Será mesmo que é o autor "um palhaço cheio de ódio"? De fato, "fascistas não conseguem se enxergar"!

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  17. Vergonha deste texto! Um palhaço cheio de ódio, com argumentos descabidos e débeis que passou longe de conseguir arranhar a grandeza e profundidade da Obra de Paulo Freire. Fascistas realmente não conseguem se enxergar!

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  18. Vergonha deste texto! Um palhaço cheio de ódio, com argumentos descabidos e débeis que passou longe de conseguir arranhar a grandeza e profundidade da Obra de Paulo Freire. Fascistas realmente não conseguem se enxergar!

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    1. Usar a palavra fascista no sentido de "não concorda comigo" é a prova cabal do quanto Paulo Freire é deletério.

      Se alguém precisava de uma prova, ei-la.

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  19. Este comentário foi removido pelo autor.

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  20. Belíssima argumentação, hein! Vc sai floodando o blog,mas os fascistas odientos sao sempre os outros...

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  21. Belíssima argumentação, hein! Vc sai floodando o blog,mas os fascistas odientos sao sempre os outros...

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  22. francamente, os "oprimidos" nao entenderiam nadicado qe o cara escreve....experimente dar esse texto para o lula ler..qu,qua,qua

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  23. Parabéns, Marcelo! Sempre detestei as ideias comunistas de Freire.

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  24. kkkkkkkk os oprimidos nao entenderiam nada se lessem esse livro
    Parabéns Marcelo! Bela argumentação! Já li muito Paulo Freire por imposição da minha profissão , mas sempre me senti incomodada com as idéias comunistas

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  25. Excelente texto, Marcelo, está na hora de varrer de nossos currículos esse tipo de doutrinação. Chega de Paulo Freire, Sartre, Derridá, Michel Foucault, desconstrução, preconceito linguístico e o diabo a quatro...

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  26. Muito bom o texto! Chega de doutrinação marxista! :)

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  27. Marcelo Centenaro é engenheiro eletrônico, mas queria mesmo ter cursado Filosofia. Mora em São Paulo, é casado e tem dois filhos. É um defensor radical da liberdade individual. Não sabe exatamente a diferença entre conservadores e liberais e prefere continuar não sabendo. O que o interessa é o que nos une, não o que nos separa. Comecei citando o seu résumé para tentar entender melhor o que leva um sujeito a questionar um autor RECONHECIDO MUNDIALMENTE como um dos maiores nomes do ensino-aprendizagem no mundo (note que evitei usar o termo educação). Seu texto pós-moderno, típico dos conservadores (primeira refutação do résumé) utiliza a mesma linguagem de silogismos, sofismas e subterfúgios dos hipócritas de direita quando não tem os elementos necessários (conhecimento) para questionar um autor ou suas ideias. Chega ao ápice ao questionar a forma de escrever de Paulo Freire e acha "pitoresco" as citações em idiomas cruzados de diversos autores, objetivando CLARAMENTE a dedução no sentido de desmoralizar o autor, como não pudesse alguém utilizar uma versão mais acessível do que outra, especialmente se a versão escolhida estivesse em idioma de maior domínio de quem consulta! Aliás, muitas inferências e mensagens subliminares no texto faz evidenciar o seu gosto pelo fascismo, que usa táticas similares aos que você chamou de ditadores (claro, para você ditadores estão somente na esquerda). Sua pretensão de "refutar" a pedagogia do oprimido é risível para alguém com um mínimo domínio do assunto, mas soa "bacana" para as turbas de jovens conservadores que infestam a Internet. Sabe o que é interessante? Freire não foi o único a falar de Ensino Libertário ou Libertador. Existem até autores politicamente isentos como Carl Rogers que falava da necessidade do Ensino levar a auto-realização e isso só ocorre quando o professor é um mediador e não um tutor (como previa Freire). Isso pra não citar Francisco Ferrer Y Guardia, que na virada do século passado já propunha uma distribuição dos conhecimentos científicos como forma de construção social da liberdade, rejeitando os colegas positivistas (que você deve adorar), que também acreditavam que a ciência isoladamente seria libertadora e formadora dos indivíduos. Por fim, sugiro que continue na Engenharia ou persiga seu sonho de estudar filosofia. Pra adiantar, comece estudando ética, evitando cair no abismo do mau-caratismo como o Deputado Nagib (aquele que disse que o Freire era o "Pedagogo do PT".

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  28. Tenho irmãs e sobrinhas professoras que são apaixonadas por Freire.

    Minha formação acadêmica é em ciências jurídicas, contábeis e atuariais. Sou auditor fiscal, com bastante experiência em tributação e auditoria. Tenho pós graduações em planejamento fiscal e auditoria, mestrado em engenharia e fui professor universitário durante muitos anos.

    Também sou silvicultor.

    Minha formação tão eclética me conduziu a farta leitura de grandes pesquisadores, filósofos, autores e pesquisadores de filosofia, direito, contábeis, atuárias, matemática, administração e vários outros campos do conhecimento.

    Sou apaixonado por história, epistemologia e política.

    "Estou" líder sindical, por demanda dos colegas auditores, o que não me faz abrir mão da minha atividade profissional.

    Minhas irmãs professoras e assistentes sociais citam tão constantemente Freire que resolvi conhecê-lo melhor. Quando minha filha foi aprovada no vestibular de engenharia elétrica da UFSCar, fizemos uma pequena cerimônia em que invoquei o patrocínio, em seu favor, de Sócrates, Platão e Aristóteles, Bacon e Descartes, Agostinho e Darwin. Li todos. Usava muito Bacon e Descartes nas orientações de TCC (trabalhos de conclusão de curso) dos meus alunos de engenharia.

    Minha pobre irmã professora sacou da algibeira uma referência a ... Freire!

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    1. Pobre irmã professora. Acho que pouco leu. Talvez nem Freire ela tenha lido.

      Resolvi conhecê-lo.

      Cotejá-lo com dezenas de autores que li resulta em um massacre intelectual de suas ideias.

      Li sua mais citada obra, a Pedagogia do Oprimido. Trata-se de um singelo panfleto marxista. Logo na introdução, diz que sua obra está aberta ao diálogo. Mas,imediatamente, rechaça o diálogo com o "sectarismo de direita". Pura hipocrisia.

      Abusa fartamente do maniqueísmo. As palavras opressor e oprimido são citadas 634 vezes. Os opressores são o mal. Freire e os oprimidos são o bem. Crianças sao oprimidas? Então país são opressores? Só tem opressores e oprimidos?

      Maniqueísmo é uma filosofia pobre. Seu criador, Mani, teve trágico fim.

      Na definição de educação bancária, Freire recorre a outra pobre figura: o estereótipo.

      A definição de Freire para educação bancária é totalmente estereotipada e coberta de clichês baratos.

      Os socialistas são pródigos consigo mesmos. Nesse sentido, reconheço como são hábeis para dar nomes e fazer narrativas. Chamam a si mesmos de progressistas. Eu digo que avançam a largos passos... rumo ao passado. Em direção ao século XIX. Quando algum amigo socialista cita "luta de classes" eu o localizo no séc XIX. A citação de "neoliberal" é uma antiguidade mais recente: séc XX.

      Pois bem, vamos dar nomes. Chamemos de "educação irresponsável" o que Freire denomina "educação libertadora".

      Denominemos de "educação construtora" o que Freire define por "educação bancária".

      Pronto.

      E agora?

      Bom. Agora é só cobrir com clichês e estereótipos a "educação irresponsável".

      Fácil assim.

      No meu trabalho como professor, sempre dosei a "educação irresponsavel" com a "educação construtora". Ministrava as mesmas disciplinas nos turnos matutino e noturno. Era comum ter alunos com grande vivência no período da noite. Costumava escalá-los para ministrarem aulas aos colegas, tão grande o conhecimento que tinham de alguns assuntos.

      Nas turmas da manhã, sempre foi mais prudente usar a boa e velha "educação construtora" que Freire chama de "educação bancária".

      Hoje, muitos ex-alunos são doutores, diretores, auditores, comandantes, tanto os oriundos do turno matutino quanto do noturno. Que tal o equilíbrio? O bom senso, no lugar do senso comum freireano?

      A leitura de Freire me trouxe um desafio: será que vou libertar minhas irmãs? Será que vou convencê-las a ler Confissões? Novum Organum? A República? Que maravilha se elas conhecessem a figura do rei-filósofo.

      Portanto, cito esses três vícios da obra de Freire: a hipocrisia, o maniqueísmo e o uso de estereótipos.

      Por fim, meus parabéns ao autor pela excelente resenha. Antecipadamente, peço escusas por algum erro de digitação em que possa ter incorrido. Digitei tudo em um smartphone.

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  29. Agora eu entendo a origem da retórica de Dilma!
    Obrigado pela resenha.......

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  30. Agora eu descobri de onde surgiram os discursos daquela parasita da Dilma Roussef. Paulo Freire fumou muita.maconha estragada pra escrever essas escrotices sem nexo!

    Essa "educação libertadora" está tendo reflexo na nossa juventude... mais de 50% dos universitários são analfabetos funcionais. Eu me pergunto: "Como sequer conseguiram concluir o ensino médio?"
    Com professores marxistas passando os que foram doutrinados por esse maconheiro esquerdista!

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